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Sol novo, Sol velho
Você gostaria de se ver mais velho? Se houvesse um espelho mágico capaz de mostrar sua imagem em uma, duas ou mais décadas, você olharia?
Imagino que a opinião seria dividida, uns tantos sim, outros tantos não. Afinal, ver o futuro teria repercussão sobre como viveríamos no presente, o que criaria uma série de paradoxos.
Se no futuro eu me visse gordo e resolvesse fazer uma dieta, emagreceria? Se emagrecesse, não estaria mudando o futuro? E será que isso é possível? Afinal, o espelho me mostrou gordo... Ou, quem sabe, o futuro não seja um apenas, mas feito de múltiplas opções.
Deixando essas preocupações um tanto humanas de lado, o fato é que em astronomia, ao menos, ver o futuro e o passado é extremamente útil.
Tanto assim que um time internacional de astrônomos vem buscando estrelas semelhantes ao Sol, mais velhas e mais novas, para que possamos aprender sobre a evolução da nossa estrela-mãe. Para tal, é usado um gigantesco telescópio. Em artigo, o grupo revela dados de duas estrelas “gêmeas” do Sol, uma bem mais nova e outra bem mais velha. Ou seja, um olho no nosso passado e outro no nosso futuro ou, ao menos, no futuro do Sol.
A mais velha tem 8,2 bilhões de anos e é bem mais velha do que o Sol, que tem 4,6 bilhões de anos. Na região mais próxima dela, podem existir planetas rochosos como a Terra.
A questão de maior importância para o público é se o Sol é uma estrela típica ou atípica. É bom saber, pois sua sobrevivência na Terra depende do Sol e da sua estabilidade. Caso seja uma estrela normal, dentro de sua classificação (estrelas aparecem em classes diferentes, dependendo da sua massa, temperatura etc.), o Sol continuará a gerar luz por muitos bilhões de anos, em torno do dobro da sua idade. Caso não seja normal, as coisas podem complicar. E, se complicarem, a vida na Terra poderá estar em apuros mais cedo do que gostaríamos.
Estudando elementos químicos presentes nas três estrelas, o grupo mostrou que o Sol é uma estrela normal. Ou seja, da imagem do Sol idoso, aprendemos que o nosso Sol não foge à regra, o que possibilita que outros como ele tenham planetas como a Terra e, quem sabe, abriguem também formas de vida.
GLEISER, Marcelo. Folha de São Paulo, 1 set. 2013. Adaptado.
O termo a que o elemento destacado se refere está adequadamente explicitado entre colchetes em: