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A Minha Vida
I
Este mundo é-me um deserto
Por onde um vulcão passou
E gravada a minha história
Em traços negros deixou.
São-lhe tetos bronzeados
Escuros, medonhos céus,
Onde bramem tempestades
Em contínuos escarcéus.
Só, por ele vai minh’alma,
Nos destroços tropeçando,
Com passo tardio e incerto
Tristemente caminhando.
Marcha... marcha ... enfim, cansada
De tão longo caminhar.
Nalguma pedra que encontra,
Descansa, e põe-se a chorar.
Olha o céu... nem uma estrela!
Olha a terra... é negro chão!
Clama em brados por socorro,
Só responde o furacão.
Nos olhos seca-lhe o pranto...
Continua a caminhar,
E noutra pedra distante
Descansa e põe-se a chorar.
Laurindo Rebelo
“Onde bramem as tempestades” é um exemplo de oração