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A Banda
Estava á toa na vida,
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro, parou.
O faroleiro que contava vantagem, parou.
A namorada que contava as estrelas, parou
Pra ver, ouvir e dar passagem.
A moça triste que vivia calada sorriu,
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou.
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela.
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu,
A lua cheia que vivia escondida surgiu,
Minha aldeia toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
Mas, para seu desencanto,
O que era doce acabou,
Tudo tomou lugar
Depois que a banda passou.
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor.
Na estrofe 4, O é analisado morfologicamente como