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A sociedade contemporânea, definida por muitos como pós-moderna, é caracterizada por um discurso polissêmico, isto é, não há um sentido próprio atribuído ao ser, tampouco à vida. Desse modo, cabe ao indivíduo a busca por aquilo que o defina e, consequentemente, lhe sirva de norte, dada sua extrema liberdade.
Apesar de toda essa liberdade, existe uma lei que todos ainda devem seguir, a lei do mercado. O mercado, assim, se apresenta como uma forma de sentido à vida, moldando a personalidade dos indivíduos e construindo seus valores. Entretanto, na sociedade de consumo, as mercadorias não possuem apenas o valor de uso e de troca, adquirindo, sobretudo, o valor simbólico, ou seja, os objetos passam a determinar um referencial para as pessoas.
Essa ideia é proposta pelo francês Jean Baudrillard, segundo o qual os objetos possuem signos que são impostos pelo sistema hegemônico. A mídia, por exemplo, determina o valor que os produtos possuem por meio de slogans que exaltam determinadas marcas. Dessa forma, as pessoas são “retribalizadas” segundo o que consomem, já que não é a personalidade que as define, mas, sim, o que consomem.
É nesse ponto que o mercado age, associando o consumo de determinados produtos a vidas bem-sucedidas e felizes, o que faz pressupor que aqueles que não consomem ou que consomem produtos sem marca ou de marcas não renomadas são tristes, infelizes. O mercado utiliza-se, portanto, do consumismo para definir aquilo que o indivíduo deve ser (e ninguém projeta uma vida infeliz).
As mercadorias, nesse contexto, são analisadas pelo signo que comunicam – como uma vida bem-sucedida –, deixando-se de considerar sua utilidade. Sendo assim, pouco importa se determinado produto é ou não, de fato, necessário; essa relação está obsoleta, deve-se considerar o seu valor sígnico, ou seja, a mensagem deixada pelo consumo de tal produto.
Nesse contexto de extrema liberdade, ser livre é poder consumir o que se deseja. Todavia, ao se aceitar a ideia construída em torno do consumo como significado da existência, ganha-se como brinde a lei do mercado, e nela o indivíduo não é apenas consumidor, é também mercadoria e, sendo mercadoria, como qualquer outra, é analisado pelos signos que possui perante a sociedade. Assim, segundo Zygmunt Bauman, as pessoas buscam pelo consumo aumentar seu valor sígnico, pois: “Na sociedade de consumidores, todos nós somos consumidores de mercadorias, e estas são destinadas ao consumo; uma vez que somos mercadorias, nos vemos obrigados a criar uma demanda de nós mesmos”.
Essa ‘demanda de nós mesmos’, como dito, é construída pelo que consumimos, visto que, em uma sociedade onde os valores são determinados por aquilo que se consome, faz-se necessário consumir para possuir valor, inclusive, enquanto indivíduos socialmente e sexualmente atrativos para o mercado. E sempre haverá outras oportunidades no mercado acenando com valores maiores.
Assinale a alternativa em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto: “O mercado, assim, se apresenta como uma forma de sentido à vida, moldando a personalidade dos indivíduos e construindo seus valores.” (linhas de 8 a 11).