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O outro
Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores – além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.
O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior é que combinava um visual péssimo – baixinho, gordinho, careca – com uma congênita inabilidade para falar em público.
Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa grana nisso, desde que pudesse garantir a eleição.
O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que de fato, não se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso se transformara num fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase.
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SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Gaia, 2006.
Dentre os vocábulos destacados no texto, qual deles foi empregado em sentido figurado?