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O carteiro e o poeta
Antonio Skármeta
– Dom Pablo, estou apaixonado. – Isto você já disse. E em que posso servi-lo? – Tem que me ajudar. – Na minha idade? – Tem que me ajudar porque eu não sei o que dizer a ela. Vejo-a diante de mim e é como se eu fosse mudo. Não me sai uma única palavra. – Mas como? Você não falou com ela?! – Quase nada. Ontem fui embora passeando pela praia como o senhor me disse. Olhei o mar por um bocado de tempo e não me ocorreu nenhuma metáfora. Aí entrei na estalagem e comprei uma garrafa de vinho. Pois bem: foi ela que me vendeu a garrafa. – Beatriz. – Beatriz. Fiquei olhando e me apaixonei por ela.
SKÁRMETA, Antonio. O carteiro e o poeta. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 31 (Fragmento).
No trecho destacado, o autor utiliza pontos de interrogação e de exclamação para denotar a atitude de