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SEMENTES (Emicida e Drik Barbosa- 2021) Se tem muita pressão Não desenvolve a semente É a mesma coisa com a gente Que é pra ser gentil Como flor é pra florir Mas sem água, sol e tempo Que botão vai se abrir? É muito triste, muito cedo É muito covarde Cortar infâncias pela metade Pra ser um adulto sem tumulto Não existe atalho, em resumo Crianças não têm trabalho, não, não, não Não ao trabalho infantil Desde cedo, 9 anos Era um pingo de gente Empurrado a fórceps pro batente O bíceps dormente, a mão cheia de calo Treme, não aguenta um lápis No fundão de São Paulo (putz) Se a alma rebelde se quer domesticar Menina preta perde infância, vira doméstica Amontoados ao relento, sem poder se esticar Um baobá vira um bonsai, é só assim pra explicar Que o nosso povo nas periferia Precisa encher suas panela vazia Dignidade é dignidade, não se negocia Porque essa troca leva infância, devolve apatia E é pior na pandemia Sobra ferida na alma, uma coleção de trauma Fora a parte física e nós já tá na crítica Pra que o nosso futuro não chore A urgência é: precisamos ser melhores, viu? (...) Com oito ela limpa casa de família Em troca de comida Mas só queria brincar de adoleta Sua vontade esconde-esconde Já que a sociedade pega-pega Sua liberdade e transforma em tristeza Repetiu na escola por falta Ele quer ir mas não pode Desigualdade é presente E tira seus direitos sem escolha Trabalha ou rouba pra viver Sistema algoz, que o arrancou da escola E colocou pra vender bala nos faróis Em maioria, jovens pretos de periferia Que tem direito a vida plena Mas só conhece o que vivencia Insegurança, violência e medo Trabalho infantil é um crime E tem cor e endereço Prioridade nossa É assegurar que cresçam e floresçam Alimentar a potência delas A liberdade delas não tem preço Merecem o mundo como um jardim E não como uma cela
Sabe-se que o título de um texto ou uma canção exerce função estratégica para sua compreensão. Na letra da canção (Texto 03), a escolha do título sugere que: