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O texto que serve de base à prova de Língua Portuguesa é parte do artigo “Ansiedade sem aplicativo”, de Oswaldo Giacoia Junior, publicado no Observatório da Imprensa. Leia-o com atenção para responder às questões de 1 a 10.
Ansiedade sem aplicativo
Oswaldo Giacoia Junior 30/06/2015
1 O ritmo da modernidade é marcado pela intensificação da agitação em escala global,
2 do ativismo e do falatório, característicos do estilo de vida em sociedades tecnologicamente
3 desenvolvidas. Nossa cadência é determinada pela velocidade operante nos circuitos
4 informativos e comunicacionais nos quais estamos enredados. Como disse o filósofo Adauto
5 Novaes, somos uma civilização de falastrões, que se obstina em Facebooks, celulares,
6 conversas virtuais, tuítes (escritos na cadência da fala; ao contrário de Macunaíma, já não
7 temos mais que aprender o português escrito e o português falado). Nunca se falou e
8 escreveu tanto, multiplicando-se a injunção à bavardage pelos meios e canais mais diversos,
9 acelerando vertiginosamente a temporalidade e proliferando espaços imateriais de fala e
10 escrita conectados em redes sociais de amplíssimo alcance. O WhatsApp, em especial,
11 tornou-se mania, uma irresistível solicitação que nos mantém permanentemente online,
12 fazendo desaparecer nossas horas de estudo e contemplação, alterando nossas noções de
13 urgência e emergência.
14 Friedrich Nietzsche ajuda-nos a refletir sobre essa compulsão à velocidade
15 comunicacional e ao formigamento dos discursos vazios em dimensão planetária. Para uma
16 percepção refinada e extemporânea como a de Nietzsche, essa curiosidade generalizada,
17 esse anseio pela novidade, que torna tudo imperiosamente urgente, é um sintoma de
18 corrupção do gosto e embotamento de corações e mentes, indício de uma ausência de
19 pensamento, em que só há percepção para o elemento quantitativo, para a maximização de
20 performances, numa alucinada e constante busca de satisfações imediatas. (...)
21 Parar para pensar sobre isso é, paradoxalmente, uma tarefa urgente, na medida em
22 que a palavra urgência nos convoca para uma retomada do sentido autêntico de
23 necessidade. A racionalidade instrumental embutida nessas formas de comunicação e vida
24 equaciona, em sua lógica estreitamente binária, urgência e pressa, açodamento e procura
25 reiterativa por opções de consumo e prazer. É necessário resgatar a memória daquilo que a
26 nossa linguagem pensa com a palavra urgentia. Seu étimo em urgeo/urgere significa
27 originariamente operar, trabalhar. Trata-se, pois, de um encargo, não de um conforto. É uma
28 tarefa do pensamento que, fiel à sua origem, não se distingue da ação. Nada parecido com o
29 ativismo frenético e o falatório vão. Fazer a experiência da urgência significa entrar em
30 correspondência com aquilo que urge, com a necessidade constringente, que pressiona,
31 comprime, faz um cerco, onera, sobrecarrega, mas também impele, impulsiona, convoca.
32 Essa força é também o compromisso com o dar-se tempo para pensar a respeito da
33 condição do homem no mundo, portanto, do compromisso com sua liberdade e sua
34 dignidade ensombrecidas. (...)
Disponível em: Acesso em: 20 Jul. 2015.
O tema abordado no texto pertence ao domínio da