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A atenção primária foi definida, descrita e estudada exaustivamente em contextos com recursos adequados, muitas vezes com referência a médicos com especialização em medicina familiar ou clínica geral. Estas descrições constituem uma agenda bem mais ambiciosa do que as receitas inaceitavelmente restritivas e desagradáveis de atenção primária que têm sido alardeadas para os países de baixa renda ■ a atenção primária cria um espaço onde as pessoas podem se apresentar com leque ampliado de problemas de saúde – não é aceitável que, em países de baixa renda, os cuidados de saúde deem resposta a apenas algumas “doenças prioritárias”; ■ a atenção primária constitui uma central de coordenação da navegação dos doentes no sistema de saúde – não é aceitável que, em países de baixa renda, a atenção primária esteja reduzida a um posto de saúde isolado ou a um trabalhador de saúde comunitária solitário; ■ a atenção primária facilita relações duradouras entre os doentes e os médicos, criando oportunidades para a participação dos doentes na tomada de decisão sobre a sua saúde e sobre os seus cuidados de saúde; criam pontes entre cuidados de saúde personalizados e os familiares e comunidades dos doentes – não é aceitável que, em países de baixa renda, a atenção primária seja limitada a um canal de prestação de sentido único para intervenções prioritárias de saúde; ■ a atenção primária abre oportunidades para a prevenção da doença e promoção da saúde, bem como para a detecção precoce da doença - não é aceitável que, em países de baixa renda, a atenção primária sirva apenas para o tratamento das doenças mais comuns; ■ a atenção primária requer equipes de profissionais de saúde: médicos, enfermeiros profissionais e assistentes com sofisticadas competências sociais e biomédicas - não é aceitável que, em países de baixa renda, a atenção primária seja sinônimo de cuidados não profissionais, com tecnologia pouco diferenciada, para os pobres de zonas rurais que não se podem dar ao luxo de ter algo melhor; ■ a atenção primária requer recursos e investimentos adequados, dando origem a mais valias muito acima daquelas alternativas possíveis - não é aceitável que, em países de baixa renda, os cuidados de saúde tenham de ser financiados por meio de pagamentos diretos, sob a assunção errada de que é barato e que os pobres têm capacidade financeira para essa despesa. O excerto acima: