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Estamos hoje vivendo numa sociedade em que as pessoas se agridem por motivo nenhum. Um colega olha diferente e você já tira satisfações. Um garçom entrega um prato errado e você vira a mesa. Alguém disca seu número por engano e você manda longe. Dentro do ônibus, na fila do banco, na beira da praia: todo local serve de ringue para agressões desmedidas.
Em entrevista, o antropólogo Roberto DaMatta afirma que é enganosa a ideia de que não toleramos a desigualdade: na verdade, o que não toleramos é a igualdade. Cidadãos com os mesmos direitos, a mesma liberdade e a mesma importância é uma democracia com que não estamos acostumados a lidar na prática, só no discurso. No fundo, mantemos uma atitude aristocrática que nos impede de aguardar a nossa vez e respeitar o espaço só do outro.
Porém, em vez de aprofundar essa questão, simplesmente botamos tudo na conta do stress.
Trabalha-se muito, ganha-se pouco: stress. Vários compromissos, pouco tempo para lazer: stress. Acorda-se cedo, dorme-se tarde: stress. Sem falar no pior dos desaforos: ninguém reparar que você existe. Existo, sim, olha aqui: bang! Chá de camomila não resolve. Terapia coletiva para todos.
(MEDEIROS, Martha. Superaquecimento. Revista O Globo, 13 mar. 2011, p.24 adaptado).
Assinale a alternativa em que o emprego da crase está correto: