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Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder as próximas questões.
“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo.”
(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
Em relação à prática do aborto, o autor do texto dá a entender que era: