///
Em abril, o Ministério do Turismo (MTur) divulgou o resultado da pesquisa "Turismo Acessível: Perfil do Turista com Deficiência", realizada em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Paralelamente, realizou o mapeamento de atrativo, empreendimentos, produtos e serviços que oferecem acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de atualizar a cartilha "Dicas para atender bem turistas com deficiência".
O resultado do levantamento revelou que mais da metade dos turistas com deficiência (53,5%) deixou de viajar para algum destino no país por falta de acessibilidade. Também mostrou que há necessidade de trabalhar a acessibilidade atitudinal, ou seja, a atitude ou comportamento das pessoas ao se comunicar com uma pessoa com deficiência.
Para Rafaela Lerhmann, coordenadora geral de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas do MTur, a pesquisa revela que os viajantes com deficiência estão buscando acessibilidade atitudinal, um modelo mais acessível de sociedade, que não fica somente no discurso, mas nas ações. Há ainda, segundo ela, um preconceito capacitista. No conceito do Dicionário Aurélio, capacitismo é discriminação e preconceito direcionados a pessoas com deficiência, que podem se efetivar por meio do discurso de que essas pessoas são anormais ou incapazes, em comparação com o que é social e estruturalmente considerado perfeito. Ele está enraizado no dia a dia das pessoas, inclusive por atitudes ou expressões verbais. Esse comportamento é criminalizado pelo Código Penal, no artigo 88 da Lei 13.146/2015: "a pessoa que praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência estará sujeita a uma punição de prisão, podendo variar de 1 a 3 anos, além da multa". A lei é boa, mas não é colocada em prática. Ao longo dos anos, a mídia também tem reproduzido esses comportamentos.
Rafaela Lerhmann defende como importantes os produtos lançados pelo Ministério do Turismo porque ajudam a trabalhar políticas públicas para o setor. O programa Turismo Acessível nunca foi descontinuado nem mesmo no governo Jair Bolsonaro. "Fizemos um estudo há anos e agora queremos entender o que mudou e descobrimos que a busca por informações é o que as pessoas com deficiência precisam, além de equipamentos, atrativos e destinos mais acessíveis", frisa. A pesquisa do MTur levantou, por exemplo, que quem tem deficiência visual é o que mais viaja sozinho, diferentemente de outros grupos, com deficiência física, intelectual ou mobilidade reduzida. Além disso, detectou que as pessoas com deficiência intelectual, mental ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são as que têm a maior porcentagem de viagens acompanhadas. No Brasil também muita gente associa pessoa com deficiência a cadeirante e se esquece de outros grupos.
É o caso, por exemplo, do nanismo. Desde o ano passado, o nanismo, decorrente de condições genéticas e caracterizado pela baixa estatura se comparada com a média da população de mesma idade, é classificado como deficiência física por meio do Decreto 5.296/2004. Infelizmente, denuncia Shimosakai, algumas empresas vão atrás de acessibilidade não como intuito de atender a pessoa com deficiência, mas para cumprir as leis.
Qual é o grupo de pessoas com deficiência mencionado no texto que possui a maior porcentagem de viagens acompanhadas?