///
Para os brasileiros, falar “não” é tão difícil quanto escalar o Everest. A nossa simpatia, tão difundida pelo mundo como a maior das qualidades brasileiras, não nos deixa falar um simples “não”. Não só isso, ela também nos faz interpretar um simples “não” como uma declaração de guerra, como uma negação pessoal, ainda que seja a primeira vez que falamos com a pessoa em nossa vida. Não saber falar e ouvir “nãos” é um tremendo de um problema. É uma carga gigantesca que a pessoa leva nas costas e um convite à mentira. É com o “não” que evitamos aqueles tão famosos “programas de índio”, é com o “não” que nos livramos daquele colega aproveitador, é com o “não” que deixamos de fazer o que não nos agrada. Quando você fala “não” sem ressalvas, fica desobrigado de mentir. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que isso corrói a alma. Mentira é um negócio que destrói a integridade, e o fato de sermos um país de muitos mentirosos não diz muita coisa sobre nós. Por isso é tão importante que busquemos nos reformar moralmente, e parar de mentir por qualquer coisa é um bom começo. Que tal trocar o “puxa, vou ver e depois te falo”, o “acho que vai dar, sim, fique frio” por um simples “não”? Que tal assumir que o “não” do outro tem muito mais a ver com o que ele quer ou não fazer do que com o quanto ele gosta ou não de você? É criando o hábito de falar a verdade que eliminamos a mentira de nossas vidas. E é eliminando a mentira de nossas vidas que diminuímos a mentira ao nosso redor. (Adaptado de Gazeta do Povo, 03/03/2016)
Em relação aos sinais de pontuação, assinale a alternativa que apresenta uma alteração no Texto que mantém a correção gramatical e o sentido original das ideias: