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Verdades na ficção
Quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político.
Continuo acreditando que um dos melhores antídotos para a mentira é a ficção. Explico o paradoxo: quando lemos na mídia uma versão fantasiosa ou uma deturpação muito bem arranjadinha da realidade, somos mais suscetíveis de ser enganados se não estivermos acostumados a ler narrativas literárias, pois estaremos sujeitos ao embuste de acreditar em mentiras sem exigir coerência no relato ou sem atentar para detalhes deixados a descoberto. E no que se refere à psicologia dos personagens, o leitor desavisado é muito mais sujeito a aceitar qualquer versão, sem perceber discrepâncias evidentes mas disfarçadas em embalagens vistosas. Por tudo isso, quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político. É menos propenso a ser vítima.
Movendo-se à vontade nesse universo da narrativa literária, que transfigura a experiência do real e lhe confere sentido, o cidadão que lê literatura tende a ter mais condições de separar o falso do verdadeiro. Liga um sinal de alerta e fica com um pé atrás, diante de mentiras embrulhadas para presente, destinadas a defender o indefensável, disfarçadas por papéis coloridos, adesivos brilhantes ou laçarotes de cetim. Percebe melhor quando dentro da caixa está a intenção de obstruir a Justiça, defender privilégios, manipular números, garantir o próprio poder ou salvar a pele. O opaco da enganação se torna transparente.
Volto então a um jogo que tenho proposto todo início de ano. Aproveitemos o verão para ler literatura. Romances, contos e até ensaios bem escritos — para quem se sente mais seguro se não tiver de enfrentar de cara uma realidade imaginada. Ótima leitura para eventuais férias. Utilíssima na formação de cidadãos democráticos. Quanto mais lermos, menos nos enganarão. Vá a uma livraria ou biblioteca e escolha um livro.
De acordo com o texto, quem lê romances e contos tende a ter uma visão mais crítica da realidade, não se deixando enganar com tanta facilidade, porque