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O que a ciência diz sobre exaustão, falta de sono e queda de produtividade
Por Isis Borge
No mundo do trabalho, a alta performance ainda costuma ser associada a intensidade, disponibilidade constante e agenda cheia. Mas a ciência tem mostrado algo diferente: exaustão não sustenta desempenho. Ela o compromete.
Recentemente, uma empresa passou a mapear executivos elegíveis para promoção a cargos de diretoria. Na prática, o trabalho consiste em conversar com esses profissionais e identificar potenciais ajustes comportamentais e pontos a desenvolver. Nessas conversas, um caso chamou a atenção: um executivo tecnicamente sólido, reconhecido pela inteligência estratégica e pela sua capacidade analítica. Ele alterna momentos de brilhantismo com erros considerados bobos pela organização. Oscila na constância, na produtividade e, principalmente, na qualidade das decisões. A empresa queria entender o que explicava essa instabilidade.
Ao aprofundar a conversa, um fator ficou evidente: exaustão agravada pela privação de sono e pelo alto nível de estresse. Ele acorda no meio da noite tenso com pendências que, às vezes, procrastina justamente por estar esgotado. Quando está mais cansado, abandona a rotina de esportes. Dorme menos, rende menos e decide pior. É um ciclo discreto, mas visivelmente presente. A literatura científica explica bem esse fenômeno. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, aponta que a privação de sono afeta diretamente a atenção, o tempo de reação, o julgamento e a tomada de decisão. Não se trata apenas de cansaço, mas de comprometimento de funções executivas.
Pesquisadores da Harvard Medical School publicaram um ensaio clínico randomizado com mais de 1.300 trabalhadores, demonstrando que intervenções para melhorar o sono resultaram em aumento de produtividade, melhoria de desempenho e redução de faltas no trabalho. Ou seja, dormir melhor produziu impacto objetivo nos resultados. No dia a dia, quase todas as pessoas conhecem alguém que viveu algum colapso por exaustão. No entanto, o verdadeiro diferencial competitivo de longo prazo não está, segundo os pesquisadores, em quem trabalha mais horas: destaca-se quem preserva clareza mental para decidir melhor, com constância.
O mercado de trabalho seguirá exigindo velocidade. Isso não vai mudar. Carreiras não fracassam apenas por incompetência técnica. Às vezes, fracassam também por desgaste mental e emocional.
No trecho “Mas a ciência tem mostrado algo diferente: exaustão não sustenta desempenho. Ela o compromete”, retirado do texto, a palavra “Ela” retoma: