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Cientistas propõem nova definição da obesidade: entenda o que muda
Por Eduardo Lima
Uma simples mudança na forma como a ciência e os profissionais da saúde pensam sobre obesidade poderia ajudar a tratar milhões de pessoas ao redor do mundo. Pelo menos é esse o argumento de uma equipe internacional de cientistas, que defende a criação de uma nova categoria de “obesidade pré-clínica” que vá além do simples cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), obesidade é o acúmulo excessivo de gordura corporal que pode ser uma ameaça à saúde.
O distúrbio é normalmente diagnosticado com o cálculo do IMC, uma medida criada no século 19 calculada a partir do peso e da altura de um indivíduo. Um número entre 18,5 e 24,9 é considerado saudável. Entre 25 e 29,9, a categoria é “sobrepeso”. Acima de 30, a pessoa passa a ser classificada como obesa. Porém, a ciência tem descoberto que essa definição pode ser simplista, já que a obesidade é uma doença mais complexa do que puro e simples “excesso de gordura”. Além disso, o IMC, por mais que seja prático e fácil, não é a melhor forma de avaliar quem está acima ou abaixo do peso ideal.
O IMC não mostra se o peso “em excesso” de gordura corporal ou de mais massa muscular e massa óssea. Mesmo técnicas mais precisas do que ele, como a medida da cintura ou até exames de raio-x, não são tão categóricas porque os níveis de gordura corporal sozinhos não definem a saúde de alguém. Cada pessoa reage de forma diferente à gordura de acordo com sua idade, hábitos de alimentação, genética e muitos outros fatores.
É por causa dessas limitações que uma comissão internacional de cientistas propôs trazer mais nuances para o diagnóstico de obesidade, considerando 18 sintomas relacionados ao peso e dividindo a doença em casos clínicos e pré-clínicos. As sugestões foram por 76 organizações médicas ao redor do mundo e baseadas em estudos recentes na área. Nessa nova definição, apenas a forma “clínica” incluiria os 18 sintomas causados pela gordura em excesso, como problemas respiratórios e dificuldade de realizar atividades cotidianas. A obesidade “pré-clínica” aumenta o risco de, no futuro, desenvolver os sintomas relacionados obesidade, mas, no presente, ela só representa excesso de peso, sem alteração na função dos órgãos.
As novas definições propostas para o diagnóstico de obesidade são parecidas com a caracterização da diabetes. Quando alguém tem níveis de açúcar no sangue mais altos do que o recomendado, mas não tão altos para caracterizar diabetes tipo 2, ela é pré-diabética.
Com base no texto, analise as assertivas abaixo:
I. O que motivou os cientistas a sugerirem uma nova forma de definir a obesidade foram as problemáticas encontradas no diagnóstico embasado apenas no IMC.
II. É possível inferir, a partir da leitura do texto, que duas pessoas podem ter o mesmo valor de IMC, mas apresentarem composições corporais muito diferentes.
III. Os cientistas sugerem que a obesidade seja definida seguindo os mesmos critérios de definição da diabetes.
Quais estão corretas?