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A doutora Margaret Mead (1901-1978), famosa antropóloga americana com trabalhos pioneiros em estudos sobre o desenvolvimento social, sugere que a primeira evidência de início da civilização humana pode ser associada ao surgimento da agricultura.
Essa transição remonta ao Período Neolítico, que ocorreu aproximadamente entre 10.000 a.C. e 3.000 a.C., e representa uma fase crucial na história da humanidade, marcada pela transição de sociedades nômades de caçadores-coletores para comunidades sedentárias de agricultores, levando ao surgimento de cidades, comércio e estruturas sociais mais complexas.
Certamente, estas transformações só foram viabilizadas porque o homo, com razão chamado sapiens, foi capaz de usar esse diferencial de inteligência para, mesmo sendo muitas vezes um animal comparativamente mais fraco, pudesse se sobrepor aos mais fortes e a eles subjugar por uma capacidade única: a de cooperação mútua, que é um atributo da socialização.
Todos concordam que a cooperação aliada __ comunicação se destaca como a virtude essencial que possibilitou aos humanos superar limitações físicas e estabelecer-se como uma espécie dominante no planeta. Se isso não houvesse ocorrido, provavelmente ainda andaríamos zanzando por aí, pichando paredes, sem saber que era possível chorar só de emoção, e pifiamente consolados pela ausência de boletos, ainda que sem a incômoda preocupação de entender o que significam, de fato, __ violação do estado de direito e __ liberdade de expressão.
Para os humanos mais sensíveis, parece sedutora a ideia de que a verdadeira civilização começou quando alguém cuidou de alguém. E a evidência de que isso ocorreu está explícita no achado de um fêmur consolidado, num sítio arqueológico, datado de uns 15 mil anos atrás.
Uma fratura incapacitante, como a do fêmur, para as populações nômades era uma sentença de morte, considerando que a vítima perdia, por longas semanas, a condição de caçar e, imobilizado, não tinha como se defender dos outros animais que, como ele, andavam em busca de comida para sobreviver, essa necessidade elementar em todos os tempos e sem prazo de validade.
O fêmur lindamente consolidado era a evidência de que alguém colocara em risco a sua própria sobrevivência para que seu parceiro de jornada tivesse a chance única de recomeçar.
Quando interpelada por um estudante, a doutora Margaret Mead teria supostamente afirmado que o achado desta fratura curada destacava um aspecto importante da civilização: a interdependência e a capacidade de cuidar de outros como elementos fundamentais para a sobrevivência e o progresso humano.
Como há controvérsia sobre a autenticidade desse discurso, e ciente de que, com a morte da antropóloga, esta dúvida persistirá, prefiro idealizá-la por quanto ela é rica de humanismo.
Fascinado por esta história, me dei conta de que a gratidão, o mais nobre dos sentimentos humanos, sempre associada __ empatia, já pode organizar uma festança para comemorar os seus primeiros 15 mil anos de atividade ininterrupta neste planeta, tão rico de gestos grandiosos, apesar da quantidade de homines stultus circulantes.
Considerando a necessidade de emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 12, 17 (duas lacunas) e 35.