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Em “Jogos para atores e não-atores” (2000), Augusto Boal aponta que o exercício é uma reflexão física sobre si mesmo: um monólogo, uma introversão. Já os jogos tratam da expressividade dos corpos como emissores e receptores de mensagens: são diálogo, exigem um interlocutor, são extroversão. O autor ressalta que os jogos e exercícios que descreve são, na verdade, joguexercícios, pois há muito de exercício nos jogos e muito de jogo nos exercícios. Ele propõe um arsenal escolhido em função dos objetivos do Teatro do Oprimido, composto por práticas que podem e devem ser utilizadas por todos que fazem teatro, profissionais ou amadores, do oprimido ou não. A partir desse contexto, analise abaixo uma de suas propostas:
• Um papel dobrado muitas vezes em pequenos pedaços: cada ator deve fazer um desenho utilizando as pequenas partes de traços que vêem do papel anterior e sem ver qual o desenho que estava nesse papel. Variante: Em vez de desenhar, o ator deve escrever uma frase, utilizando necessariamente, como primeira palavra sua, a última (e única) que viu do pedaço de papel anterior. Nos dois casos, depois que todos tiverem feito a sua parte, abre-se o grande papel e observa-se o desenho ou a escritura final. Era um procedimento muito usado pelos poetas surrealistas.
Trata-se de uma prática muito utilizada por professores de Arte em todas as suas linguagens, não necessariamente apenas no teatro e apresenta inúmeras variações. Conforme é apontado na obra, o jogo surgiu com o surrealismo, corrente artística moderna da representação do irracional e do inconsciente, sendo que a imaginação se manifesta livremente nesse movimento. O jogo ou exercício descrito acima é o(a):