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Num auditório espaçoso, um vídeo institucional da Philip Morris – gigante da indústria do tabaco mundial – abre uma roda de conversa sobre empregabilidade para pessoas LGBTQIA+. A peça trata do descarte de bitucas e de diversidade. Além disso, entre os palestrantes está uma representante da Philip Morris, que fala sobre seleção e ampliação da diversidade no mercado de trabalho.
O evento, no caso é uma palestra da Feira da Diversidade, que é parte da programação oficial da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo. A Philip Morris é patrocinadora da feira. A ação, contudo, acontece no limite da legalidade, segundo especialistas. Isso porque uma lei federal proíbe, décadas, o patrocínio de atividade cultural ou esportiva por “uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, privado ou público”.
“É proibida promoção dos produtos, mas aí as empresas encontraram a brecha na lei, que é realizar a publicidade institucional. Se a ação acontecer em nome da Philip Morris, isso não seria ilegal”, explica a diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Mônica Andreis. “O problema é que são empresas cujo produto é o tabaco, sendo este o carro-chefe delas cigarros e produtos fumígenos. Não são como uma grande empresa que tem uma gama de produtos e poderia fazer uma ação institucional mais genérica”, avalia Andreis.
Além de patrocinar a feira, a Philip Morris Brasil é apoiadora da própria Parada, como consta em comunicado divulgado para a imprensa. Este é o sétimo ano que a empresa apoia o evento. A logo da Philip Morris aparece no site da Parada do Orgulho como um dos parceiros. No evento, todavia, a marca da Philip Morris só aparece nos painéis próximos ao auditório onde são realizadas as rodas de conversa; nos demais espaços, aparecem apenas os outros patrocinadores e apoiadores. Na visão de Andreis, empresas como a Philip Morris utilizam esse tipo de ação institucional para melhorar sua imagem, que é prejudicada pelos males saúde causados pelo fumo. A associação a eventos que promovem a diversidade, no mês do Orgulho, é uma prática comum no mundo do marketing, que foi apelidada de “rainbow washing” (prática em que empresas, marcas ou organizações demonstram apoio superficial ou simbólico à comunidade LGBTQIA+ para lucrar, sem implementar políticas reais de apoio ou mudança), em alusão ao uso do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+.
No Brasil, a propaganda de cigarros em veículos de massa, como jornais, TVs e rádios, é proibida desde os anos 2000. Apesar de a legislação brasileira ser rigorosa quanto a esse tipo de divulgação empresas que vendem cigarros e outros produtos de tabaco têm conseguido fazer a divulgação das suas marcas através de ações institucionais, como a Philip Morris faz na parada LGBTQIA+ de São Paulo.
Com base no texto, assinale a alternativa correta.