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Nem sempre é amor. Às vezes, é obsessão. Você percebe que é obsessão por um traço específico: quando não consegue terminar o relacionamento. Parece estranho concluir isso, até porque você nunca se envolve pensando em se separar. Mas não é querer terminar, é poder terminar. Na obsessão, você perde o livre-arbítrio, a escolha, o senso de medida, a condicional de permanecer numa convivência de acordo com a sua felicidade. A outra pessoa mentiu, e você persiste na relação. A outra pessoa quebrou sua confiança, pegou dinheiro emprestado, não devolveu, e você continua na relação. A outra pessoa foi infiel, e você prossegue na relação. Nunca se separa, nada faz você se separar, nenhum motivo é graúdo o suficiente — é obsessão. Você se submete a uma dependência em torno de um único objetivo: manter-se junto. Não importa o que aconteça, jamais prepara as malas. Quando é amor, você não sente medo de terminar. Não aceita ser maltratado. Não aceita qualquer coisa. Não aceita uma partilha em que você tem o que não merece. Não aceita gritos, ordens, brigas, discussões, pressão, ataque gratuito de ciúme. Vai exigir o melhor. Dará adeus se o outro pisar na bola. Se você é afetuoso, se você se faz presente, e não há contrapartida, não verá condições de seguir adiante. Fechará a conta, a porta. Você não jogará seu tempo e sua juventude fora com quem está pela metade ou com quem se revela egoísta. O amor melhora você para todos, não somente para a parte interessada. Preso na teia da obsessão, você adia o fim, não é capaz de encerrar o ciclo de perdas. Pelo receio de morrer sozinho, desperdiça a sua vida com as piores companhias.
Considerando o emprego da vírgula, analise as assertivas a seguir:
I. Na linha 07, a vírgula hachurada separa um adjunto adverbial deslocado.
II. Na linha 08, a vírgula hachurada separa orações coordenadas.
III. Na linha 17, as quatro ocorrências da vírgula separam uma sequência de termos.
Quais estão corretas?