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É cada vez mais comum a expressão de sofrimento emocional através das redes sociais. Encontramos no nosso próprio feed relatos sobre perdas, lutos rompimentos, sofrimentos existenciais relacionados ou não transtornos mentais, que comovem, mobilizam a rede e evocam também a expressão emocional de todos os seguidores que fazem parte de um perfil. Esse fenômeno teve expressivo aumento durante a pandemia, e parece continuar se estendendo na medida em que não encontramos espaço de acolhimento e validação nas relações e encontros presenciais. A vida corrida, o olhar “adultizado” de que tudo deve envolver algum tipo de performance e produtividade nos distancia uns dos outros e também dificulta a intimidade para a expressão das emoções vulneráveis.
Nesse cenário, as redes sociais se tornaram um espaço importante e necessário. É comum que enlutados, por exemplo, revelem sentirem-se mais acolhidos e identificados nas redes, por vezes, recebendo apoio de grupos de pessoas que jamais viram presencialmente. Por outro lado, a vulnerabilidade exposta nessas mesmas plataformas pode ser alvo de haters, comentários maldosos e também de postagens que servem como gatilhos emocionais para um sofrimento ainda mais intenso. Outro ponto de atenção é que a rede social não é exatamente um local onde a pessoa encontra a ajuda que realmente necessita, como a busca por um profissional de saúde mental, por exemplo.
Portanto, é fundamental e urgente que possamos conversar com adultos e crianças sobre o uso que fazemos das redes sociais, sobre a nossa responsabilidade em relação ao que postamos ou comentamos, e a repercussão desses conteúdos tanto em nossas vidas como na vida de toda a comunidade que faz parte de nossas relações no universo digital.
Mais do que nunca, é necessário pensarmos sobre as consequências do que acontece nas redes sociais, porque essas sim são muito reais. Para os adultos que aprenderam medida que usavam os dispositivos e redes sociais pode ser mais complexo, mas, para as crianças, um bom momento para introduzirmos esses assuntos é antes de elas terem acesso aos dispositivos eletrônicos. E lembrando, claro, que essa construção de crítica e reflexão não se constrói em um único momento. Somos a primeira geração de pais que necessita pensar sobre isso e a responsabilidade é grande. Mas se compartilharmos nossas inquietações e pudermos pensar juntos, buscando orientação adequada, o resultado pode ser bastante favorável e o bom uso das redes pode estar associado a bem-estar e consequências positivas a longo prazo.
Assinale a alternativa que encontra respaldo no texto.