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Quando o humor ultrapassa o limite e vira intolerância ou racismo em sala de aula
Por Ruam Oliveira
_____ muito se debate quais são os limites do humor. Ainda que antiga, a discussão sempre ressurge quando uma piada considerada ofensiva – ou de fato ofensiva – ganha palco nas conversas on e offline.
A escola, como parte da sociedade, não está livre de vivenciar momentos nos quais piadas que ferem os direitos humanos resultam em discriminação contra professores, estudantes e demais integrantes da instituição. Discriminação não é bullying e nem mesmo pode ser interpretada como brincadeira. O que fazer então nesses casos?
Racismo geralmente é o que mais aparece em muitas dessas “piadas”. De acordo com Iara Viana, assessora da Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica na Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, as bases para evitar que situações como essas continuem se repetindo é criar uma escola com princípios ____________, na qual diferentes atores da comunidade escolar se engajam para pensar estratégias educativas, reflexivas e preventivas.
Muito do que é considerado humor, na verdade, é “racismo recreativo”. O termo foi aprofundado por Adilson Moreira, doutor em Direito Antidiscriminatório pela Universidade de Harvard (Estados Unidos), no livro “Racismo Recreativo”, que faz parte da coletânea “Feminismos Plurais”, organizada pela socióloga Djamila Ribeiro. Em linhas gerais, esse tipo de racismo se manifesta por meio de “piadas” ou “brincadeiras” que associam características físicas e/ou culturais de pessoas pretas e indígenas a algo negativo ou inferior.
Iara ressalta que as relações raciais no Brasil ainda são marcadas por contradições, e mesmo diante das evidentes desvantagens sociais vivenciadas pela população negra, ainda _____ segmentos da sociedade que negam a existência do racismo, tanto oficialmente quanto no senso comum. Para estar preparado para lidar com essas questões, a formação continuada é uma forte aliada.
“Acredito que os professores precisam compreender que a promoção das relações étnico-raciais e do combate ao racismo não são optativas ou negociáveis. Estão previstas na legislação, por intermédio das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08. Independentemente de crenças pessoais, lacunas na formação inicial ou continuada, são ações inerentes ao fazer pedagógico dos docentes”, afirma Joana Oscar, coordenadora na Coordenadoria de Diversidade, Cultura e Extensão Curricular da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.
Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Alana e pelo Instituto Geledés destacou que 71% das cidades brasileiras ainda não implementam a Lei nº 10.639/03, que se destina ao ensino de história e cultura africana e afro-brasileira. O levantamento foi feito a nível nacional, com a participação de 1.187 secretarias municipais de educação.
As abordagens podem ser diferentes, mas o ideal é que nenhuma manifestação racista seja ignorada. Iara avalia que, ao se deparar com qualquer manifestação ofensiva, o professor deve interromper a aula imediatamente e iniciar outro tipo de debate, contextualizando que os atos de racismo são considerados crime, fazendo as advertências devidas, informando à direção e solicitando uma conversa com a família.
Assinale a alternativa que NÃO encontra respaldo no texto.