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Educação inclusiva: por que devemos olhar além do laudo
Por Tory Oliveira
Ao longo da última década, as discussões e dúvidas dos professores sobre a Educação Inclusiva migraram do direito ao acesso escolas comuns para como olhar além das deficiências, trabalhar com a diversidade e avançar na aprendizagem para todos.
Dados do último Censo Escolar mostram que 877 mil estudantes com algum tipo de deficiência estavam na Educação Básica em 2017, a quarta alta consecutiva nas matrículas. No entanto, Luiz Conceição, especialista em formação do Instituto Rodrigo Mendes, lembra que dois terços dos estudantes que estão fora da escola têm algum tipo de deficiência, segundo pesquisa da Unicef. “Se quisermos cumprir esse direito que está na Constituição, precisamos encarar isso de frente. Apesar de todos os avanços, ainda temos muito o que fazer”, afirma.
Doutora em Educação pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença da Faculdade de Educação da Unicamp (LEPED/FE/Unicamp), Eliane de Souza Ramos lembra que a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, priorizou inclusão dos alunos com deficiência nas escolas regulares e trouxe dois preceitos fundamentais para o trabalho educacional: todos os alunos são capazes de aprender e a deficiência não está no indivíduo.
No modelo anterior, calcado na perspectiva médica, a incapacidade, a ineficiência e as limitações centravam-se na pessoa. Já na perspectiva social, entende-se que a situação é de deficiência, uma vez que ela não é acessível, afirma. “A perspectiva inclusiva trouxe a ideia de que todas as pessoas são capazes e sujeitos ativos cognitiva e socialmente. Assim, não vou escolher o que ensinar prevendo que a incapacidade está no outro. Não é porque uma pessoa cega não vê cor que é incapaz de pensar sobre ela. Mas, se eu a excluo, a pessoa fica apartada daquele conhecimento”, diz a especialista, que propõe a adoção do termo “pessoa em situação de deficiência”.
Para Luiz Conceição, a mudança de perspectiva fez com que o professor de hoje precise se concentrar menos no laudo dos alunos com deficiência e mais em como reduzir barreiras. “Faz diferença, quando ele está preparando o planejamento anual e pensando nos conteúdos que ministrará para turma, pensar nas barreiras que ele precisa reduzir. Um intérprete em Libras como temos aqui no evento, por exemplo, é uma forma de reduzir essas barreiras”, afirma.
Carla Mauch, coordenadora do Mais Diferença, afirma que, quando o heterogêneo é a norma na escola, o professor passa a ter infinitas formas de aprender e ensinar. “Não vou aprender Libras porque o aluno precisa, mas porque assim terei mais uma forma incrível de ensinar e aprender. Não estou fazendo um favor para o aluno, ele tem o direito”.
“Hoje, a Educação Especial tem como objetivo tornar acessível aquilo que está inacessível. Não tem a ver com adaptar o currículo ou treinar as pessoas, mas, sim, com o entendimento de que há uma singularidade que é interior e que não para de se atualizar. E que é na convivência e no diálogo que nos humanizamos e nos formamos”, conclui Eliane, da Unicamp.
Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 02, 14 e 28.