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Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia
Por Pedro Guerra
Desde que me entendo por gente, sempre tive uma pressa enorme em existir. Quem sabe a responsabilidade disso deva cair sobre as milhares de ideias que trafegam em descontrole dentro da mente, onde o objetivo comum entre todas é tomar forma. Foi por isso mesmo que executei projetos, lancei livros e “dei a cara a tapa” muitas vezes sem nem saber o que o tal tapa significava. Contudo prefiro me concentrar no sentimento gratificante que é olhar para ________ e saber que tudo aquilo que eu ________ fazer simplesmente foi feito.
A ________ é uma meta recorrente para todos nós. Queremos sentir que estamos fazendo exatamente aquilo que nascemos para fazer. Entre perrengues da vida acadêmica e contratempos dos primeiros empregos, eventualmente atingimos a profissão e o emprego desejados. Seja qual for a área, o que reparo muitas vezes é um certo receio: será que estou pronto?
Em paralelo, continuamos estudando e nos matriculamos em meia dúzia de cursinhos de fim de semana. Procuramos nos espelhar naqueles tidos como referência, pois estes sim estão prontos (ao menos, é o que acreditamos). O resultado é um tempo que passa rápido demais e que nos faz ter menos e menos coragem, pois a esta altura já acreditamos que nunca saberemos o suficiente, além do fato de a cautela que acreditamos que deva existir nos mantém muitas vezes no mesmo lugar. É um ciclo onde o novo e o arriscado assustam, e aí nos acostumamos ao que é cômodo.
Opiniões à parte, prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é uma quimera. Tão inatingível quanto acreditar que podemos, ainda nesta vida, ser perfeitos. Como bem pontuou Cortella (em seu livro que não ironicamente chama ‘Não nascemos prontos’), “gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo”. E é exatamente aqui que se esconde o segredo-não-tão-secreto que talvez você só fosse descobrir no best seller daquele coach que surgiu do nada mas que já surgiu “prontíssimo”: o importante é quão dispostos estamos em nos fazer. Até quanto consigo me construir?
Certa vez escutei, em um programa de empreendedorismo, que se você não sente vergonha de algo que já fez, é porque começou tarde demais. Fico imensamente feliz em relembrar quantos erros de (falta de) estratégia já cometi, ou quantos materiais já lancei e que hoje não julgo serem os melhores. Dou risada porque faz parte. Tá na minha história. É claro que lá na frente faremos melhor o que fizemos ontem (até porque, a ideia é que seremos melhores também). Mas isso não anula que tudo fez sentido e estava em sua melhor versão quando realizado. E a moral toda é sobre isso mesmo: existir, do jeito que for. Porque o importante é fazer e ir se fazendo com aquilo que temos (e somos) hoje.
Assinale a alternativa cujos vocábulos preenchem, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 06 (duas ocorrências) e 07.