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OMS: varíola dos macacos não é emergência global, mas países precisam agir
Por Jamil Chade
A OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou que, neste estágio, a varíola dos macacos ainda não é uma emergência sanitária global. A decisão foi tomada em 25 de junho deste ano, depois de uma avaliação de especialistas diante da expansão da doença e do potencial risco de contaminação. Ainda assim, os cientistas pediram que governos intensifiquem as ações de monitoramento e que a OMS siga se reunindo nas semanas subsequentes. Para a Organização, será necessária uma "ação coletiva" para lidar com nova crise.
O debate intenso entre os cientistas resultou em uma decisão que levou dias para ser concluída. Até hoje, cinco emergências foram declaradas pela instituição em pouco mais de dez anos e, quando isso ocorre, sinaliza a necessidade de que governos em todo o mundo tomem medidas para monitorar o surto e controlar os casos. Com mais de 3,2 mil casos em cerca de 50 países, a doença passou a ser monitorada pela OMS.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que 17 casos foram identificados. A declaração de uma emergência global teria como meta aumentar a coordenação entre os países e reforçar os mecanismos de busca ativa de casos e implementar medidas para ajudar conter a circulação global do vírus. A reunião do comitê de emergência da OMS ocorreu em um momento de crescente preocupação com o aumento de casos registrados em áreas não endêmicas fora da África, especialmente na Europa, mas também nas Américas, com vários casos também relatados na Ásia e Oceania.
Um alerta sanitário internacional foi lançado pelo Reino Unido em meados de maio, e desde então os casos têm crescido neste país (793), assim como na Espanha (mais de 800), Alemanha (592), Portugal (317), França (277), Canadá (245), Holanda (167) e Estados Unidos (156), de acordo com os números disponíveis até o último dia 23 de junho, quando a reunião da OMS foi convocada.
Numa declaração o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que está "profundamente preocupado com a disseminação da varíola dos macacos, que já foi identificada em mais de 50 países, em cinco regiões da OMS, com 3.000 casos desde o início de maio”. Segundo ele, o Comitê de Emergência notou muitas incógnitas, lacunas nos dados atuais e preparou um relatório de consenso que reflete opiniões divergentes entre o comitê. "Em geral, no relatório, eles me aconselharam que neste momento o evento não constitui uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional, que é o mais alto nível de alerta que a OMS pode emitir, mas reconheceram que a convocação do próprio comitê reflete a crescente preocupação com a propagação internacional da varíola dos macacos", disse Tedros. Segundo ele, apesar da decisão, o surto é "claramente uma ameaça saúde em evolução" e a OMS está "acompanhando muito de perto".
Tedros afirma que a situação requer atenção coletiva e ação coordenada agora para parar a propagação do vírus da varíola dos macacos usando medidas de saúde pública, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, isolamento e cuidado de pacientes, e garantindo que ferramentas de saúde como vacinas e tratamentos estejam disponíveis para populações em risco e sejam compartilhadas de forma justa. Em reunião, Tedros e o Comitê indicaram que a varíola dos macacos vem circulando em vários países africanos há várias décadas e tem sido negligenciada em termos de pesquisa, atenção e financiamento.
Tedros afirmou que governos, comunidades e indivíduos precisam considerar as recomendações do comitê para uma vigilância reforçada, um melhor envolvimento da comunidade no diagnóstico e na comunicação dos riscos, além do uso apropriado de medidas terapêuticas, vacinas e ações de saúde pública, incluindo o rastreamento e isolamento dos contatos.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 06, 14 e 33.