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Quando a avó trocou o coração por um eletrodoméstico, continuou amando. Ela dizia: amar é saber. E dizia: amar é melhorar. Tantas vezes me repreendeu quando rabujei ou abreviei um abraço. Ordenava apenas: melhora, rapaz. Melhora.
O meu avô, ao contrário, era um homem de oficina. Para ele, a vida era uma tarefa. Havia que cumprir, plantar, colher, assear, ter modos, manter o silêncio, poupar palavras. Usava todas as distâncias e fugas. A maioria das vezes, só a minha avó o encontrava, metido em lugarejos debaixo das árvores, por onde ia fazer cálculos e afiar foices.
Quando lhe mudaram o coração para uma maquineta esperta, a avó queria só saber se ia fazer ruído como o frigorífico à noite. Estávamos todos ocupados com não sermos esquecidos na paciência de gostar de nós, e ela falava como se cuidasse de pendurar um candeeiro ao meio do peito.
O avô, resumido nos sentimentos, sem talento nas aflições, mais maniento e cheio de medo, só dizia: sossega, menina, sossega. Mesmo velhinhos, ele tratava-a como da primeira vez. Era uma menina.
Pela leitura do texto, é possível entender que a avó e o avô do autor eram: