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Depois dos grandes metafísicos de Platão e Aristóteles, a filosofia se voltou para o homem comum. Filósofos como Epicuro e Zenão de Cício buscaram respostas para que o homem pudesse encontrar uma vida feliz em meio falta de sentido do mundo.
Epicuristas
Aristóteles foi tão prolífico que a maioria dos pensadores gregos abandonou os grandes empreendimentos filosóficos após a morte dele. As questões da existência, que haviam ocupado os dias de Sócrates, Platão e Aristóteles, deixaram de fazer sentido em um mundo incessantemente sacolejado pelas guerras e destruição que marcaram o Mar Egeu nos séculos que se seguiram morte de Alexandre. Por que se preocupar do que é feita a realidade se não se sabia como seria o dia seguinte? Era preciso ajudar o homem a sobreviver em meio ao caos e à aleatoriedade do mundo.
Essa foi a missão de Epicuro. Nascido em 341 a.C., ele foi o fundador de uma das escolas filosóficas mais importantes da época. O professor de gramática de Samos se mudou para Atenas por volta dos 35 anos, onde comprou uma casa com um quintal. Lá, em meio a árvores e flores, começou a dar aulas de filosofia, nas quais pregava a busca pela felicidade e o controle das emoções. Na verdade, Epicuro se autoproclamava um terapeuta do espírito, um médico das almas e um cirurgião das paixões.
Na escola que fundou, chamada de O Jardim, Epicuro acolhia mulheres, prostitutas e até mesmo escravos. A liberalidade do mestre gerava boatos de que O Jardim seria, na verdade, um local de orgias e depravação. De fato, sua filosofia era uma ode ao prazer, mas não havia espaço para a luxúria. O epicurismo pregava a moderação e a celebração das pequenas alegrias da vida. Conta-se que as aulas de O Jardim eram regadas a água e pão, nada de vinho. É de Epicuro a máxima: “Mais vale dormir tranquilo sobre um berço de palha do que ficar insone e atormentado sobre um trono de ouro”.
O filósofo dizia que nosso maior objetivo de vida era ser feliz. Mas não se tratava de buscar prazer a qualquer custo, porque isso resultaria em infelicidade. Para o mestre, a felicidade é a ausência de sofrimento. Ou seja, almejar e nutrir expectativas demais sobre a vida só geraria mais angústia e tristeza. Melhor aceitar as agruras da vida porque não há como evitá-las. E, se nada pode ser feito, melhor consolar-se recordando bons momentos ou imaginando dias melhores. Até em relação ao maior medo humano, a morte, Epicuro tinha uma resposta. Se ela é o fim de toda e qualquer sensação, não pode trazer dor física ou emocional. Logo, não há nada a temer. “A morte não é nada para nós”, sentenciou o mestre. Ao superarmos o medo de morrer, podemos, enfim, ser felizes.
Epicuro faleceu aos 72 anos. Não se sabe se estava completamente destemido em relação ao juízo final, mas há registros de que ele viveu exatamente conforme sua doutrina. Tinha dores crônicas na bexiga e no estômago, mas não se deixava abater. Em uma de suas últimas cartas, direcionada a um amigo, dizia: “A doença em meu corpo continua evoluindo, sem nada perder de sua habitual severidade; mas ignoro tudo isso e meu coração se alegra”. Epicuro deixou uma legião de seguidores. Durante escavações em sítios arqueológicos gregos e romanos foram encontradas várias pequenas estatuetas do filósofo, até mesmo em casas simples. Seus seguidores acreditavam que contemplar o rosto dele aquietava o espírito.
Analise as seguintes assertivas e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O sujeito do verbo “resultaria” (l. 26) é “infelicidade” (l. 26).
( ) Se substituirmos “doença” (l. 37) por “mal-estar”, apenas uma outra palavra, no trecho sublinhado no texto, necessitaria de alteração para fins de concordância.
( ) O sujeito do verbo “autoproclamava” (l. 16) é “Epicuro” (l. 16).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: