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Se você acompanha de perto os movimentos de Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, já sabe que as curtidas parecem ter os dias contados. As quatro gigantes implantaram ou estão testando formas de omitir quantos likes uma postagem teve. Agora, se você é do tipo que não segue esse noticiário, comece a prestar atenção nessas mudanças. As alterações podem afetar em cheio o trabalho dos checadores de fatos no mundo todo e, em consequência, ampliar o grau de desinformação nas redes sociais.
Numa primeira leitura, o movimento em favor da desmetrificação dos posts — sejam eles em formato de textos, fotos ou vídeos — parece ser uma resposta à indústria dos likes e ao dano psicológico que ela pode causar.
Lá atrás, quando as redes sociais saíram do papel, as curtidas serviam não só para mostrar o sucesso de uma publicação, mas também para influenciar o algoritmo de algumas das plataformas e fazer com que aquele conteúdo fosse distribuído para mais pessoas.
Em alguns anos, surgiram as fazendas de curtidas e os robôs, sistemas que poderiam ser comprados de forma a "viralizar" um conteúdo e a transformar um determinado indivíduo num influenciador digital. Com isso, veio o caos mental. A busca por curtidas e a angústia atrelada a sua ausência.
A desmetrificação seria, portanto, uma forma de quebrar esse ciclo vicioso: sem saber quantos likes um conteúdo ou uma pessoa têm, as redes sociais sobreviveriam apenas pela qualidade real daquilo que comportam.
Em julho deste ano, o Instagram deu o primeiro passo. Passou a "esconder" o número de curtidas das postagens feitas em sete países do mundo: Brasil, Canadá, Austrália, Itália, Irlanda, Japão e Nova Zelândia. E o marketing digital reclamou. Muito. Influenciadores já não tinham como provar o sucesso de suas postagens — nem cobrar por elas. Nas empresas, os marketeiros já não sabiam ao certo em que contas investir — muito menos medir seu ROI (return of investment).
Hoje em dia, sabe-se que o Facebook (dono do Instagram) faz testes internos no mesmo sentido, assim como o Twitter. O YouTube, por sua vez, deixou de mostrar o número exato de pessoas inscritas em canais. A contagem mostra apenas números aproximados.
É possível que você tenha chegado até aqui comemorando essas decisões. Então precisa saber que o trabalho dos fact-checkers de todo o mundo depende – e muito – das métricas produzidas pelas redes sociais. Qualquer alteração na exibição delas deveria passar por uma discussão com os checadores.
Explico: todos os dias, as redações das plataformas de checagem recebem centenas de posts apontados como supostamente falsos para checar. É com base nas métricas — número de likes, de compartilhamentos e comentários — que as equipes determinam o que merece atenção imediata, com base no potencial de viralização indicado pelos dados. A ausência deles pode colocar os checadores num estado semelhante ao que se vê hoje em dia no WhatsApp.
E já há casos concretos disso. Ao agir contra fotos antigas atribuídas às queimadas da Amazônia, os fact-checkers da Agência Lupa perceberam que já não podiam contar com o aplicativo de celular do Instagram. Ele já não informava o número de likes das fotos que circulavam fora de contexto. Tiveram de correr para o computador para verificar se, por lá, ainda era possível saber qual imagem merecia ser trabalhada antes. Foi com alívio que constataram que, pelo desktop, ainda era possível ver o número de curtidas.
Imagine agora como seria se todas as redes sociais retirassem dos checadores a informação sobre qual texto, imagem e vídeo falso está sendo mais espalhado pela rede. Você certamente o receberia — sem a devida checagem em anexo. Talvez esse lado da desmetrificação mereça ser mais debatido.
Considerando o exposto no texto, analise as assertivas a seguir:
I. Uma das consequências da omissão dos números referentes ao engajamento em uma postagem em rede social é o aumento da propagação de informações falsas.
II. Está implícito no texto que a qualidade das postagens não será, de maneira alguma, afetada pela omissão dos likes.
III. As curtidas em uma postagem não geram retornos financeiros, portanto, sua omissão afeta somente questões psicológicas dos que se integram às redes sociais.
Quais estão corretas?