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O gol que Sissi marcou contra a Alemanha pegou todo mundo de surpresa. A campanha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, corria melhor que a encomenda: após uma vitória contra o Japão e um surpreendente empate com a Noruega, atual campeã mundial na época, bastava repetir o resultado contra as poderosas alemãs para avançar à fase mata-mata do torneio. Coube à craque de cabelo raspado, que vestia a camisa 10 da seleção antes de Marta, garantir o placar de 1 a 1 e carimbar a vaga para as semifinais. Só que isso criou um problema gigante para a CBF.
Tudo porque o voo comercial que traria a delegação feminina de volta ao Brasil já estava marcado – para antes do término da competição. Nem os dirigentes acreditavam que as canarinhas superariam a fase de grupos. “A gente só foi descobrir isso depois do jogo”, lembra Sissi. A solução foi embarcar o time feminino junto à seleção principal – a dos homens –, que também foi derrotada na fase semifinal. As jogadoras ainda ouviram que voltar para casa a bordo do voo fretado da seleção masculina “já servia de prêmio”. Sissi não chega a discordar: “Não posso dizer que foi ruim porque tive o prazer de conhecer o Roberto Carlos, o Ronaldo…”.
Aposentada da seleção desde 2000, hoje ela é treinadora de um time infantil feminino nos Estados Unidos.
A falha de logística deu-se, justamente, na estreia do futebol feminino brasileiro em Olimpíadas. A primeira convocação de uma equipe nacional de mulheres aconteceu pouco antes, em 1988, ano do primeiro torneio feminino internacional da Fifa, organizado em caráter experimental. A seleção dos homens, tricampeã do mundo, já havia disputado 13 Copas. Durante quase 40 anos, mulheres foram proibidas de jogar futebol profissional no Brasil. Dizia uma lei, decretada em 1941, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas: “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. A norma não citava exatamente o futebol, mas estava implícito que a bola não deveria rolar entre pés femininos. Sobravam argumentos pseudocientíficos para tentar manter as mulheres belas, recatadas e no lar. Defendia-se que elas tinham ossos mais frágeis, menos glóbulos vermelhos e menor “resistência nervosa”. A restrição de 1941 foi atualizada em 1965, quando a proibição do futebol feminino, então, tornou-se expressa: “não é permitida a prática feminina de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo, polo aquático, rúgbi, halterofilismo e beisebol”.
Não dá para dizer que a regra foi cumprida ao pé da letra. Nesse período muitas mulheres jogaram futebol, mas de modo amador e, pode-se dizer, clandestino. Graças a essas “mulheres desobedientes” o futebol feminino se manteve vivo.
Acerca da pontuação empregada no texto, considere o que se afirma nas assertivas abaixo:
I. Os dois-pontos da linha 02 poderiam ser substituídos por “pois” entre vírgulas.
II. As duas vírgulas que isolam “atual campeã mundial na época” (l. 03 e 04) marcam um aposto.
III. As vírgulas das linhas 05 e 06 poderiam ser suprimidas sem que isso alterasse o sentido da frase ou acarretasse algum tipo de erro.
IV. O travessão da linha 09 tem a função de marcar uma ênfase na frase; por isso, pode ser suprimido sem acarretar erro estrutural na frase.
Quais estão corretas?