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Em 1950, o cientista Alan Turing (1912-1954) criava um experimento que entraria para a história. No famoso Teste de Turing, descrito no artigo Computing Machinery and Intelligence, o britânico propunha que um computador e um humano respondessem ____ mesmas perguntas. Caso o interrogador não conseguisse diferenciá-los, a máquina passava no teste, provando a sua inteligência. Com sua validade questionada pela comunidade científica de hoje, o experimento trouxe ____ tona uma indagação perturbadora: a máquina superará o ser humano? Passadas mais de cinco décadas, a questão ainda ressoa na esfera pública, principalmente devido à automação de atividades cotidianas, do transporte ao cuidado de idosos e crianças.
Entusiasta dos avanços tecnológicos, o docente do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Edson Prestes, defende que a revolução robótica em curso trará muitos benefícios. Porém, a sociedade civil precisa estar atenta, zelando pela manutenção dos direitos humanos. “É consenso que robôs coexistirão com os homens nos mais variados ambientes, com as mais variadas funções. Eles impactarão certamente as nossas vidas. A questão que é necessária responder é: de que forma? Se desenvolvermos robôs sem qualquer noção ética, certamente o impacto será negativo”, ressalta.
O pesquisador integra a Global Initiative for Ethical Considerations in Artificial Intelligence and Autonomous Systems, iniciativa que reúne especialistas de todo o globo para debater os desafios da inteligência artificial. Essa discussão já toma forma com o desenvolvimento dos carros autônomos, que não necessitam de motorista. Nos últimos dez anos, empresas de tecnologia, como o Google e a Apple, e as tradicionais montadoras têm investido no setor, em uma corrida para chegar ao mercado. Mais do que um benefício para quem não gosta de guiar, a promessa é que esses veículos sejam mais seguros. Segundo estudo da consultoria McKinsey & Company, os carros autônomos poderiam reduzir em 90% o número de acidentes, os quais são causados nos dias de hoje principalmente por falhas humanas como excesso de velocidade, consumo de álcool e fadiga.
Imune _____ distrações, os novos automóveis trariam benefícios inegáveis. No entanto, há um fator que torna a equação um pouco mais complexa: o acaso. Como o veículo agirá se, por exemplo, um pedestre aparecer de repente em seu percurso? Atropelará ____ pessoa ou desviará para outro local pondo a vida do passageiro em risco? Segundo o gerente de estratégia da Ford, Luciano Driemeier, situações como essas exigiriam a criação de normas de conduta. “O código de ética é uma questão de toda a indústria. Precisamos de abordagens e discussões consistentes, e de todas as partes interessadas – incluindo governo, indústria automobilística, suprimentos, companhias de seguros e grupos de defesa dos consumidores”, afirma.
O físico, astrônomo e docente da universidade norte-americana Dartmouth College, Marcelo Gleiser, concorda que o padrão de conduta dos veículos autônomos deve ser discutido por grupos multidisciplinares, incluindo filósofos especializados em ética. “A boa notícia é que, dada a imparcialidade da máquina, muito provavelmente a melhor decisão será salvar o maior número de vidas possível”, comenta. Esse fator também é ressaltado pelo gerente de projetos da BMW, Henrique Miranda. Ele argumenta que, ao contrário do motorista, a máquina não age “por instinto de sobrevivência”. “O objetivo da tecnologia não é escolher entre vidas, mas proteger todas as vidas”, afirma.
Para que esses carros possam ser inseridos no mercado, também será necessário criar novas leis. Atualmente, por exemplo, ainda não há uma definição clara de quem seria responsabilizado – a empresa ou o passageiro – caso o veículo provoque um acidente. Recentemente, o governo alemão deu o primeiro passo nesse sentido, anunciando uma série de diretrizes relacionadas ao uso de carros autônomos. Outras nações devem seguir o exemplo, expandindo a regulamentação para outras áreas. “Diversos grupos em universidades já estão discutindo que regras deveriam guiar o trabalho dos robôs. Afinal, se conseguirmos de fato construir máquinas inteligentes, como garantir que elas seguirão nossas regras e não as delas?”, indaga Gleiser.
Considerando os aspectos elencados no texto, assinale a alternativa que NÃO apresenta um assunto por ele abordado.