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Razões para uma semana de trabalho mais curta. E outras para uma mais longa.
Por Amália Safatle
Trabalhar menos dias por semana fortalece a democracia, pois as pessoas teriam mais tempo de participar de atividades locais, engajar-se em movimentos e campanhas, acompanhar e monitorar o que os políticos locais e nacionais fazem e deixam de fazer. Essa é uma das 10 razões listadas por aqueles que defendem uma semana mais curta de trabalho. Não se trata de piada de escritório, há uma turma debruçada em estudos sobre os benefícios de se ter quatro ou até três dias de trabalho por semana, como defende o New Economics Foundation (NEF)*, nome acompanhado do britanicamente irônico slogan – Economics as if People and the Planet Mattered (“A Economia como se as pessoas e o planeta tivessem importância”).
Mas vamos lá às demais justificativas, antecedidas por um habeas corpus da NEF: estão falando de uma grande transição, não de soluções instantâneas. De fato, listadas assim, soam até ingênuas de tão impossíveis dada a atual engrenagem do modelo econômico em que vivemos – basicamente movido pela ideia de trabalhar muito para poder consumir mais, enquanto as demandas sociais não são atendidas, e o desequilíbrio ambiental se aprofunda. Em síntese, trabalha-se para manter o sistema, em vez de o sistema trabalhar a favor das pessoas e do planeta. Por isso o NEF sustenta que países com menos horas de trabalho, como o Reino Unido, _________ uma pegada ecológica menor, e esta é uma das principais razões para se buscar uma semana de trabalho mais curta. Não que isso enfraqueça a economia, ao contrário: a segunda razão listada é justamente o oposto, uma economia mais forte, com maior equidade e menor dependência de um crescimento alimentado pela dívida – elementos que fazem uma economia ser mais robusta, como a da Alemanha e da Holanda, onde se trabalha menos que nos Estados Unidos, por exemplo.
Trabalhar menos horas _________ também à criação de melhores empregos, pois a quantidade de horas será substituída pela qualidade: com menos tempo de trabalho, tende-se a buscar maior produtividade. Pessoas que trabalham menos horas estão menos propensas ao absenteísmo e formam uma força de trabalho mais comprometida. Mais razões: menor desemprego, pois a semana mais curta ajudaria a redistribuir tarefas entre os que trabalham muito e os que estão sem trabalho; e aumento do bem-estar, com mais tempo disponível para buscar a saúde física e mental, e para refletir sobre o que de fato vale a pena na vida além de ir ao shopping. As pessoas teriam mais tempo para cultivar o relacionamento com familiares, amigos e vizinhos, fortalecendo os laços sociais. Os custos com o cuidado das crianças diminuiriam, e haveria uma melhor divisão de tarefas não remuneradas (como as domésticas) entre homens e mulheres. A aposentadoria também seria um processo mais suave, com diminuição gradual de horas trabalhadas, evitando traumas e depressão causados pela mudança repentina no ritmo de vida.
Não há como pensar a sério nessas mudanças a não ser sob a ótica da transição de longo prazo, de uma transformação profunda de modelo de vida, valores, cultura. Também é preciso transpor essa argumentação – dos que defendem uma semana mais curta – para países como o Brasil: o que funciona nos países ricos serviria para cá? E, mais que questões estruturais e econômicas, há as de ordem comportamental. Quantas pessoas nós conhecemos (talvez nós mesmos) que se afundam no trabalho para esquecer os problemas pessoais? Nós, que nos julgamos tão importantes por estarmos sempre ocupados, na correria, como lidaremos com o tempo ocioso e nossa real insignificância? Afundando o nariz nos smartphones para não cumprimentar quem entra no elevador? Talvez ________ mais que 10 razões para muita gente querer uma semana de trabalho longa, até mesmo invadindo o fim de semana.
* New Economics Foundation (NEF) é uma Think Tank do Reino Unido que busca desenvolver propostas econômicas que estejam fortemente vinculadas à promoção do bem-estar e do desenvolvimento sustentável.
No que se afirma sobre o emprego de sinais de pontuação no texto, assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Nas linhas 17 e 23, o sinal de dois-pontos equivale a uma conjunção explicativa e poderia, então, ser substituído por uma dessas conjunções (desconsiderada a necessidade de outros ajustes de pontuação).
( ) Na linha 20, a vírgula após Holanda antecede uma oração adjetiva explicativa.
( ) Na linha 37, o trecho entre travessões poderia estar entre parênteses, pois, nesse caso, esses sinais têm a mesma função.
( ) As frases que terminam com ponto de interrogação, no último parágrafo, não constituem exatamente perguntas diretas ao leitor, já que se trata mais de um recurso retórico da autora para promover a reflexão sobre o tema tratado.
A ordem correta do preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: