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Entre ser “coxinha” ou “petralha”, dentro da política nacional. Entre ser intruso ou local, na questão dos imigrantes, mundo afora. Entre ser vegetariano ou carnívoro, no alimentação. Entre ser Batman ou Super-Homem, na identificação com os super-heróis de sempre. Entre tantos “issos” ou “aquilos” que a atualidade oferece, você já decidiu de que lado está? Não responda agora, porque a pergunta que vem a seguir é ainda mais importante: você já parou para pensar se realmente precisa escolher um dos dois lados que se apresentam como as verdades da vez?
“Às vezes, o melhor lado é o de fora. Especialmente em momentos de polarização”, provoca o historiador, antropólogo e filósofo Leandro Karnal. Mas ele complementa que é nesses momentos que as pessoas acham mais importante tomar partido. “Concordar com os pressupostos básicos de A ou B é aderir a toda a semântica de comunicação de cada grupo. Quando alguém diz C, sai do código semântico e deixa o outro perturbado porque ele não consegue sequer nessa linguagem”, explica.
Entre diversos exemplos de polaridade, é como se o mundo atual se dividisse entre o bem ou o mal, sendo o bem sempre o lado em que você está e o mal, a posição do outro – claro! Essa visão maniqueísta costuma facilitar a vida, por um lado, pois basta seguir fielmente a doutrina escolhida e sentir o conforto de pertencer a um grupo. Mas, por outro, a riqueza que a vida oferece quando se mantém uma postura mais aberta à diversidade de ideias.
“Devemos ser capazes de apreciar a diferença e manter uma distância saudável entre as próprias ideias e as opostas. Isso significa manter a motivação de que as pessoas possam ser felizes do modo delas, e de que não seremos nós quem lhes ensinará como ser felizes”, analisa Bel Cesar, psicoterapeuta sob a perspectiva do budismo tibetano e mãe do lama Michel Rinpoche. O problema, resume Bel, é praticar uma atitude corretiva na qual intervimos no espaço alheio sem um acordo prévio de ambas as partes.
Isso vale para política, religião, saúde, criação dos filhos, sexualidade, alimentação e vários outros temas. Para cultivar um espaço saudável entre aqueles que vivem de modo diferente, é necessário que cada pessoa mantenhacerta curiosidade sobre as razões do outro e procure compreender o que o leva a pensar e agir de uma determinada maneira. “É importante lembrar que o nosso bem-estar depende também do bem-estar comum. Sinto falta disso na nossa sociedade”, comenta Bel.
Considerando o texto, analise as seguintes assertivas, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) De acordo com o texto, as pessoas deveriam sempre definir seu ponto de vista a respeito de algo e deixá-lo bem claro para a sociedade.
( ) Para termos uma sociedade compreensível, devemos entender as nossas escolhas e tentar mostrar ao outro o porquê que ela é a correta.
( ) Para vivermos em harmonia, não podemos esquecer de que o bem-estar dos outros influencia o nosso bem-estar.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: