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A inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho: um panorama positivo para uma mudança necessária
Jaques Haber
É indiscutível a importância das contratações de profissionais com deficiência para a economia do Brasil. Além da geração de emprego, a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho contribui para trazer-lhes dignidade. Ao incluí-las, não estamos apenas ofertando um salário, mas também a oportunidade de se reabilitarem socialmente e psicologicamente.
É sabido que o exercício profissional traz consigo a interação com outras pessoas, o sentimento de cidadão produtivo, a possibilidade de fazer amigos, de encontrar um amor, de pertencer a um grupo social. Até o status adquirido junto à própria família muda para melhor, sem contar que a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para humanizar mais a empresa e enriquecer o ambiente corporativo com visões e experiências diversificadas.
Ao incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, configura-se um novo grupo de consumidores, até então excluído da economia. Com a geração de renda, esse grupo passa a consumir avidamente, já que apresenta muitas carências, desde elementos essenciais, como o acesso a planos e serviços de saúde, até a concretização de desejos não tão de primeira ordem, como a compra de um tablet ou um smartphones, por exemplo. Com a renda, essas pessoas passam a circular mais, e isso propicia maior convivência com pessoas sem deficiência, o que desperta a atenção para oportunidades de se criarem mais produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades específicas dessa parcela da população.
Nessa perspectiva, a inclusão de profissionais com deficiência no ambiente de trabalho cria oportunidades, também, para as empresas gerarem mais negócios. Uma pessoa que está acostumada a enfrentar desafios diários por falta de acessibilidade ou sensibilização da população, em geral, certamente se adapta ao mundo do trabalho. Nesse sentido, essa pessoa está mais preparada para lidar com situações críticas e a resolver problemas, além de trazer uma visão diferente para o grupo, o que contribui para o processo de criação ou tomada de decisões.
Em relação à qualificação das pessoas com deficiência, podemos afirmar que segue basicamente o mesmo padrão da população brasileira em geral, e é falacioso generalizar a falta de qualificação desse grupo. É fato que, por questões de exclusão histórica, há uma maioria pouco qualificada, mas essa baixa qualificação também incide no restante da população e não significa que não existam pessoas com deficiência qualificadas. Por exemplo: no banco de currículos da i.Social, mais de 80% dos 30.000 profissionais cadastrados têm ao menos ensino médio completo, e há muitos com graduação, mestrado e doutorado.
Observamos, então, que o maior empecilho para a inclusão desses profissionais ainda é cultural. Ou seja, as relações interpessoais ainda estão muito calcadas em estereótipos e preconceitos, além do fato de as vagas oferecidas a essas pessoas ainda serem muito operacionais e pouco atrativas. Os líderes e gestores das empresas ainda não consideram incluir esses profissionais em cargos mais estratégicos, pois tendem a achar que são menos produtivos ou geram mais custos com acessibilidade, o que não é verdade. Dessa forma, não é exagero afirmar que a questão cultural ainda é o maior desafio. A falta de acessibilidade é reflexo da falta de cultura inclusiva. Enquanto não transformarmos a mentalidade antiga de que as pessoas com deficiência são menos qualificadas, menos produtivas e exigem muitos investimentos, não daremos um salto de qualidade no processo de inclusão.
Assinale a alternativa em que o termo destacado no fragmento a seguir, retirado do texto, foi empregado de modo correto.
“(...) há uma maioria pouco qualificada (...)”.