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Se você está entre os 92% da população que experimentam a dificuldade de esquecer trechos de músicas que surgem sem convite e “grudam” em nossa cabeça – talvez queira saber como dissipá-los. No livro Alucinações musicais, Relatos sobre a música e o cérebro (Companhia das Letras, 2007), o neurologista americano Oliver Sacks apresentou várias situações clínicas em que pacientes se queixavam de uma espécie de perseguição pela música. O fenômeno – que recebeu o curioso nome de earworms (vermes de ouvido) – é considerado uma forma benigna de ruminação: pensamentos repetitivos e intrusivos associados à ansiedade e à depressão. Um fato que chama a atenção é que, em geral, a música que se repete em nossa mente nem é a nossa preferida.
De fato, há muito tempo psicólogos procuram maneiras de eliminar esse incômodo. Agora, um estudo da Universidade de Reading, na Inglaterra, aponta uma estratégia simples e eficiente: mascar chiclete. O psicólogo Philip Beaman e seus colegas descobriram que, quando universitários eram expostos a um trecho de uma canção cativante e, em seguida, mastigavam algo, relataram sentir menos earworms em relação aos colegas que não exercitavam as mandíbulas ou se distraíam de alguma forma. O ato de mascar chiclete, ler em silêncio, falar ou cantar sozinho envolve os chamados articuladores subvocais: a língua, os dentes e outras partes anatômicas usadas para produzir a fala. A descoberta surpreendente é que as subvocalizações diminuem a capacidade do cérebro de formar memórias verbais ou musicais.
Para algumas pessoas, mastigar algo pode ser o suficiente para tirar da cabeça as repetições contínuas. No entanto, a técnica provavelmente não vai ajudar muito a banir melodias profundamente arraigadas. Especialistas dizem que casos tão persistentes são raros, mas não inéditos – e nessas situações chicletes realmente não ajudam.
Outras estratégias incluem o que a psicóloga britânica especializada em musicoterapia Victoria Williamson, pesquisadora da Universidade de Sheffield, descreve como “distrair-se e envolver-se”. Segundo ela, as táticas mais eficazes para esquecer a melodia intrusiva são verbais ou musicais: vale entoar um mantra, recitar um poema, ouvir uma música diferente ou até mesmo tocar um instrumento. Essas ações ativam o componente da memória de trabalho envolvido nesse tipo de pensamento obsessivo, um ciclo de armazenamento e repetição chamado alça fonológica. “Se você preenchê-la com outras coisas que ocupam o mesmo circuito, não vai sobrar muito espaço para ideias intrusivas”, diz a especialista.
Concentrar-se em uma tarefa mental específica – por exemplo, pensar sobre a programação da semana – também pode ajudar a dissipar uma canção insistente. No entanto, se for algo muito fácil ou difícil demais, a mente tende a se entregar aos earworms. É preciso controlar de maneira adequada a carga cognitiva – o que o professor de psicologia Ira Hyman, da Universidade Western Washington, chama de efeito goldilocks (algo como fechamentos de ouro). Pesquisadores da Universidade de Cambridge criaram o que acreditavam ser o exercício perfeito: mentalizar números aleatórios, aproximadamente um por segundo, sem repetir nenhum.
No caso específico da música, em vez de tentar não pensar a respeito, a pessoa pode deliberadamente ouvi-la inteira, do começo ao fim, várias vezes seguidas. Os earworms costumam ser fragmentos, o que muito provavelmente contribui com a sua persistência; memórias vagas duram mais tempo do que as completas, um fenômeno conhecido como efeito Zeigarnik. Segundo Victoria Williamson, completar todas as partes pode ajudar a tirar a música da memória consciente. Há casos raros, porém, em que nem a distração nem o envolvimento funcionaram. Segundo alguns especialistas, a longo prazo, uma boa estratégia pode ser simplesmente aprender a desfrutar dos consertos musicais na própria cabeça.
Analise as afirmações que são feitas sobre expressões do texto, considerando o contexto de uso em que elas se inserem:
I. A expressão ‘Há muito tempo’ (l.10) possui um erro gramatical, pois indica o futuro e não o passado.
II. A palavra ‘arraigadas’ (l.21) poderia ser substituída por ‘obstinadas’ sem causar nenhuma alteração semântica.
III. ‘consertos’ (l.45) está escrita da maneira correta, pois indica um espetáculo em que se executam obras musicais.
Quais estão INCORRETAS?