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Na virada do século, em 2001, o especialista em recursos hídricos, Marcos Freitas, então diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), foi convidado por uma revista a fazer sobre o futuro do Brasil e de como seria a vida dos brasileiros em 2015. época, a resposta de Freitas pareceu um tanto esdrúxula: o país, mesmo tendo o maior volume de água doce do planeta, viveria uma grave crise hídrica.
Em São Paulo, a população já sofre com a pressão reduzida na rede, o que muitas vezes significa conviver com torneira seca por até 18 horas. E pior: pode ser obrigada em breve a enfrentar um rigoroso racionamento e ficar quatro ou até cinco dias por semana sem água.
A medida drástica tem uma razão. Se a chuva não vier e o consumo não for reduzido, os reservatórios podem ficar sem água ainda no primeiro semestre. A previsão mais pessimista fala em desabastecimento completo em março. O cenário faz serem cogitadas possibilidades como antecipação das férias escolares de julho para maio, uma maneira de incentivar que muitas famílias deixem o Estado e, assim, diminuam o uso de água.
Mas se o problema era conhecido há tantos anos, por que não foi evitado? A resposta é complexa. O fato é que a previsão de Freitas mais de uma década não tinha nada de sobrenatural. Estava baseada em números: – Entre 1998 e 2000, trabalhei na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), onde nos preocupávamos muito com a quantidade de água disponível. Quando fui transferido para a ANA, em 2001, e comecei a prestar atenção na qualidade. Fiquei estarrecido com poluição de rios e falta de tratamento. Era questão de tempo.
Hoje professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o técnico conta que a situação observada há quase 15 anos foi comunicada aos governos paulista e federal, mas não teve efeito. E atribui isso “surdez pluripartidária”, já que obra de saneamento “não aparece” e, por isso, “não dá voto”. – É impressionante que, até hoje, a ANA não consegue exercer poder de polícia e cuidar dos mananciais – observa Freitas.
O alerta da agência em 2001 não foi o único. Em 2009, o próprio governo paulista, com base na análise de mais de 200 especialistas, apontava risco de desabastecimento em 2015. E pior: a estiagem que afeta o Sudeste há pelo menos três verões foi apenas um dos fatores que intensificaram o problema. Não o gerou sozinho. É preciso incluir na conta o descuido com as fontes de água, a falta de investimento das empresas para evitar desperdício e a gestão inadequada, que tratou a água como fonte inesgotável quando era cada vez mais .
Considere as seguintes afirmações a respeito de passagens do texto:
I. A época (l. 03) a que se refere o autor é o ano de 2015.
II. A razão da medida drástica, citada nas linhas 07 e 08, é o rigoroso racionamento e a falta de água que São Paulo enfrenta.
III. A qualidade à que se refere o interlocutor na linha 19 está relacionada a dois aspectos: à poluição dos rios e à falta de tratamento.
Quais estão corretas?