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Reescrever é um componente fundamental do processo da escrita. A razão disso é que nenhum texto ganha forma da primeira vez em que as palavras são lançadas no papel. Reescreve-se para chegar ao que se quer dizer. Com isso, desenvolve-se o senso crítico e se aprende mais sobre as possibilidades da língua.
A reescrita é imprescindível no aprendizado da redação. Para Eliane Donaio Ruiz, o professor deve incorporar ao ensino essa prática "absolutamente comum entre os escritores (...), seja simultaneamente ao ato da escrita, seja posteriormente a ele". Se ela não acontece, a correção se limita à exposição dos problemas, sem que o aluno seja convocado a compreendê-los e os resolver.
A refeitura faz com que o estudante não se fixe apenas no resultado obtido, mas também nas transformações que deve efetuar. Isso o ajuda a perceber que a escrita é um processo. Escrever primeiras versões ruins é condição para que, posteriormente, se chegue a um resultado satisfatório. Quem não aprende a reconhecer as falhas - suas e dos outros - não terá como as evitar.
Com o tempo, os alunos se convencem disso e temem menos os erros, pois sabem que eles são um ponto de partida para o acerto. Ao reescrever, aprendem a desconfiar do binômio trabalho certo/errado ou trabalho bem/mal. Convencem-se de que toda redação pode ser aperfeiçoada; o precário material que produzem nas primeiras versões é a matéria-prima que resultará em bons textos. Segundo Daniel Cassany, escrever "é como atirar pedras - a gente não sabe com certeza os efeitos que causará quando a pedra sair da mão". A reescrita ajuda a conhecer a trajetória da pedra, evitando-se o risco de que ela caia na cabeça de quem a jogou.
A reescrita em sala de aula deve dar mais ênfase à comunicação do que ao estilo (no sentido literário). Não se está, afinal de contas, lidando com escritores, e sim com uma clientela que deseja aperfeiçoar sua capacidade redacional. O que se persegue é a clareza, a transparência de sentido. O aluno deve estar consciente de que reescreve para se fazer entender. O caminho para chegar a isso é combater os problemas que dificultam o ato de ler. Stephen Kock afirma que "o coração da legibilidade é sua relação com o leitor. A clareza é um elemento essencial dessa relação". Estes são alguns dos fatores que comprometem a leitura: as falhas coesivas, a quebra do paralelismo, o excesso de palavras, a redundância de ideias, as enumerações extensas e as imprecisões vocabulares.
O processo de reescrever é primeiro "autotextual". Com a ajuda do professor e dos colegas, o aluno reescreve os próprios textos. Numa etapa posterior, ele trabalha os textos de outros. Esse é o momento de transformar gêneros, estilos, registros de linguagem, visando fazer uma ponte entre o que se escreve na escola e fora dela. O objetivo é mostrar ao estudante que produzir textos é uma forma de interagir socialmente. Ele não reescreve apenas para contornar problemas de linguagem e expressão, e sim, conforme observa Sírio Possenti, "para tornar o texto mais adequado a uma certa finalidade, a um certo tipo de leitor, a um certo gênero".
Considere a palavra ‘exposição’ (l.08) e analise as afirmações que seguem:
I. As letras x e ç correspondem ao mesmo fonema.
II. A letra s corresponde ao mesmo fonema que o representado pela letra x, porém aquele é surdo e este é sonoro.
III. As letras ão representam um ditongo nasal crescente.
Quais estão corretas?