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Linguagem tátil de cores: acessibilidade para pessoas com deficiência visual (See color)
Suponha que você está se arrumando para uma noite especial e acabe a energia na sua casa e no seu celular, ficando um escuro total! Depois do susto, você se desafia a encontrar aquela peça de roupa na cor desejada. Como você faria isso?
Utilizar objetos coloridos faz parte do nosso dia a dia e transmite informações, sensações e sentimentos. Contudo, apenas os que enxergam ou acessam essas informações, de alguma forma, têm a possibilidade de utilizá-las e interpretá-las conscientemente. Foi observando esta falta de acesso que a pesquisa se desenvolveu e trouxe avanços, podendo ajudar pessoas que passam por situações inusitadas, como a descrita anteriormente, mas principalmente àquelas que possuem alguma deficiência visual, como a cegueira, a baixa visão e o daltonismo, por exemplo.
Percebendo essa dificuldade, as pesquisadoras Sandra Marchi e Maria Lucia Okimoto, da Universidade Federal do Paraná, em conjunto com a pesquisadora Bruna Brogin, do SENAI Paraná, buscaram criar um sistema de linguagem tátil de cores que fosse mais fácil de aprender e de ser aplicado em diferentes objetos.
As pesquisadoras observaram que o sistema atual de linguagem para este público, como o braile, por exemplo, se apresenta ineficiente ou de difícil acesso e aplicação quando se trata de informar cores em objetos. Elas perceberam que, ao escrever a cor em braile, a informação fica muito longa, o que dificulta apresentá-la em pequenos objetos, tais como: um lápis de cor. Além disso, nem todos os que possuem deficiência visual com uma idade avançada apresentam disposição para aprender o braile.
Na proposta apresentada, além de elaborar uma nova linguagem de cores por meio de códigos, também foram realizados testes físicos com diferentes materiais, testes de aprendizagem e eficácia, utilizando-se como público-alvo os deficientes visuais. O modelo de linguagem tátil criado se mostrou eficaz. Todos os participantes com deficiência conseguiram identificar facilmente a cor tateando o código depois de serem treinados. Em média, o tempo de aprendizagem foi de 20 minutos e a quantidade de acerto foi maior que 80% nos testes. É a cor na ponta dos dedos.
Como é feita a pesquisa?
Na primeira fase, estudou-se sistemas e métodos que já haviam sido propostos por outros pesquisadores, nos quais foi possível observar a aplicação dos métodos, bem como os níveis de dificuldade de aprendizagem destes. Dessa forma, as pesquisadoras identificaram bons critérios que deveriam orientar o novo sistema apresentado. Neste caso, identificou-se que o uso de códigos poderia facilitar o aprendizado e ser aplicado em pequenas dimensões.
A linguagem criada utiliza-se de três elementos: o ponto, a linha e o relevo. Ela se assemelha à lógica de um relógio na qual o ponteiro gira no círculo cromático. No eixo central, existe um ponto fixo, seguido de um traço que pode estar posicionado em diferentes ângulos, para variar as cores.
Após o desenvolvimento dos códigos, passou-se para a etapa de testes físicos. Primeiro, foram desenvolvidos modelos artesanais, aplicados em pré-teste com alguns dos participantes, os quais foram feitos para definir a linguagem tátil. Para os primeiros modelos, realizou-se testes com 3 participantes e foram usados materiais como: bolas de isopor, palito de madeira e tinta. A segunda etapa dos testes físicos consistiu no aperfeiçoamento dos modelos já desenvolvidos, utilizando-se de impressão 3D na elaboração de materiais com melhor qualidade.
A última etapa foi a avaliação da linguagem tátil desenvolvida nesse sistema de representação. Para isso, a pesquisadora contou com a participação de 18 voluntários diversificados (variando em relação aos gêneros, idades, níveis de visão e conhecimento do braile, ou seja, com ou sem alfabetização em braile). Primeiro, ensinou-se ao participante os códigos de forma que lhe fosse permitido manusear o material livremente, até que conseguisse compreender e formar o mapa mental, localizando corretamente a posição das cores. Este processo de aprendizagem foi cronometrado pela pesquisadora, considerando como término o momento no qual o participante informasse que já havia aprendido o que lhe fora proposto.
Após o aprendizado, foram realizados testes para verificar se as respostas estavam corretas ou não, incluindo também o tempo de realização desses testes. A quantidade de acertos dos participantes gerou uma medida de eficácia da linguagem proposta. O tempo gasto para identificar os códigos gerou um indicador de facilidade de aplicação do método.
Sobre as relações de coesão textual estabelecidas no texto, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
( )Em "Suponha que você está se arrumando para uma noite especial e acabe a energia na sua casa e no seu celular, ficando um escuro total", os pronomes fazem referência para fora do texto.
( )No trecho "As pesquisadoras observaram que o sistema atual de linguagem para este público, como o braile, por exemplo, se apresenta ineficiente ou de difícil acesso e aplicação quando se trata de informar cores em objetos. Elas perceberam que, ao escrever a cor em braile, a informação fica muito longa, o que dificulta apresentá-la em pequenos objetos", a palavra "elas" serve de anafórico para "as pesquisadoras".
( )Em "Após o aprendizado, foram realizados testes para verificar se as respostas estavam corretas ou não, incluindo também o tempo de realização desses testes", a expressão "desses testes" funciona como elemento catafórico.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta: