///
População jovem é a mais vulnerável aos efeitos da crise ambiental
As crianças e adolescentes de hoje herdarão o planeta e o clima comprometidos pela ação humana ao longo do último século. De acordo com o relatório "Crianças, adolescentes e mudanças climáticas no Brasil", produzido em 2022 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as consequências das mudanças climáticas afetam diretamente o desenvolvimento, o bem-estar e a qualidade de vida de jovens; especialmente negros, indígenas, quilombolas, migrantes e refugiados, pessoas com deficiência e meninas.
Segundo o Observatório da Criança e do Adolescente, há cerca de 68 milhões de pessoas de zero a 19 anos de idade vivendo no Brasil. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 11% da população com até 14 anos de idade são extremamente pobres e 41% são pobres. Além da situação de insegurança, esse perfil socioeconômico faz com que vivam em maior exposição a desastres ambientais.
Dados divulgados pelo Unicef indicam que há cerca de 2,1 milhões de crianças e adolescentes vivendo em áreas consideradas de risco no Brasil: locais onde não é recomendada a construção de moradias, expostas a desastres ambientais, como inundações e desabamentos. Essa situação precária, incerta e sob estresse faz com que este grupo social tenha menos condições de se adaptar frente às mudanças climáticas relacionadas ao padrão de chuvas e temperatura.
Esse cenário gera o deslocamento forçado desses grupos, o que acaba afetando a saúde mental e interferindo no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirma que "a ruptura dos laços familiares e afetivos; a falta de abrigo ou moradia; as dificuldades de acesso aos serviços básicos, como à água potável e ao saneamento básico, à educação, à saúde e à cultura, assim como a exposição a situações de violência" são fatores determinantes desse processo.
O relatório da Unicef também propõe diversas ações. O documento ressalta a importância do investimento em pesquisa: "é preciso que, na medida do possível, os dados sejam sensíveis à idade, gênero, deficiência, raça e etnia, e captem informações sobre grupos de migrantes e refugiados". Tais informações servem para embasar políticas públicas, que devem considerar crianças e adolescentes como prioridade em pautas climáticas e ambientais. O relatório aponta, ainda, que essa população está praticamente ausente na legislação, nos planos e nos programas relacionados às mudanças climáticas no Brasil. Além de incluí-los como sujeitos centrais nas políticas públicas, é preciso que crianças e adolescentes sejam incorporados em todas as etapas, desde a concepção até a implementação e avaliação dessas políticas. Outras medidas incluem a promoção e o estímulo à transição para uma economia verde, "abrindo oportunidades de inclusão socioprodutiva de adolescentes e jovens, e inibindo o financiamento de atividades poluentes ou prejudiciais ao meio ambiente".
Após ler atentamente "População jovem é a mais vulnerável aos efeitos da crise ambiental", analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) A vulnerabilidade dos jovens em relação à crise ambiental se dá tanto por aspectos físicos quanto emocionais.
(__) Além das consequências diretas causadas pela crise ambiental, há ainda outras questões de ordem indireta que afetam os jovens e sua sobrevivência.
(__) O aspecto que mais precisa ser levado em consideração quando se fala da vulnerabilidade dos jovens aos efeitos da crise ambiental é que muitos desses jovens vivem em áreas consideradas de risco no Brasil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: