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Minha infância transcorreu em uma fazenda no interior de Minas e, ali, a memória de meus sonhos começou. Talvez tivesse 7 anos quando minha mãe me apresentou o primeiro livro, O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Li, então, a história de um pescador que saiu em seu barco para alto mar ambicionando trazer um grande peixe.
Terminada a leitura, fui indagado: qual a conclusão sobre o livro? Respondi que havia apenas entendido a história de um velho pescador que conseguiu fisgar um grande marlim […].
Compreendi apenas o sentido literal da narrativa, sem descobrir o que as palavras escondiam, embora acompanhadas de muita fantasia. Minha mãe deu-me então várias explicações metafóricas do significado daquela luta terrível entre o velho e o peixe. O pescador, ela me disse, não foi derrotado ou frustrou-se, pois lutou até o fim, deu o máximo de si e a vida é assim. Nem tudo sai como desejamos, mas o que importa e nos engrandece é a luta, é o dar tudo de si.
Ela me esclareceu e deu várias lições sobre como apreciar e analisar um livro. O resultado dessa minha primeira experiência literária foi, portanto, a descoberta da necessidade de penetrar nas entrelinhas, de decifrar as ideias do autor e as suas emoções, enfim, ser capaz de admirá-lo em plenitude.
Ao dizer que descobriu a “necessidade de penetrar nas entrelinhas” da narrativa, o articulista permite inferir que o