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Onde de fato começa uma história? Na vida, são raros os inícios bem marcados, aqueles instantes dos quais um dia podemos dizer: “Foi ali que tudo começou.” Mas às vezes o destino cruza nosso caminho e inicia uma sequência de acontecimentos que levam a um desfecho imprevisível.
Falta pouco para as duas da manhã e estou totalmente desperto. Passei quase uma hora me virando de um lado para o outro na cama, até que desisti. Agora estou sentado diante da escrivaninha, caneta na mão, refletindo sobre meu próprio encontro com o destino. Não é algo incomum para mim. Ultimamente, parece que é tudo em que consigo pensar.
A não ser pelo som do relógio na estante, a casa está em total silêncio. Minha esposa está no andar de cima, dormindo, e, enquanto encaro a pauta do bloco amarelo à minha frente, percebo que não sei por onde começar. Não que minha história me deixe inseguro, só não tenho certeza do que me faz escrevê-la. De que adianta desencavar o passado? Afinal, os acontecimentos que estou prestes a relatar ocorreram treze anos atrás – e acho até que posso dizer que na verdade começaram dois longos anos antes disso. Sentado aqui, porém, sei que preciso tentar contar minha história, mesmo que seja só para finalmente colocar um ponto final nela.
Alguns objetos me ajudam a recordar aquele período: um diário que escrevo desde menino, uma pasta com recortes de jornal amarelados, minha própria investigação e, é claro, os documentos oficiais. Há também o fato de eu ter revisto os acontecimentos centenas de vezes na minha mente. Eles estão gravados na minha memória. Mas, se minha história se baseasse apenas nessas coisas, ela seria incompleta. Há mais pessoas envolvidas e, embora eu tenha testemunhado alguns dos acontecimentos, não estive presente em todos eles. Sei que é impossível recriar cada sensação e cada pensamento da vida de outra pessoa. Aconteça o que acontecer, porém, é isso que vou tentar fazer.
Segundo o autor do texto, são objetos que o ajudam a recordar o período desejado, EXCETO: