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Saia já da jaula, bicho-homem!
Existem atualmente 193 espécies de macacos e símios, todos com o corpo coberto de pelos, com uma única exceção: o símio pelado que, modéstia à parte, intitulou-se Homo sapiens.
Quando as tensões da vida moderna, do progresso que criou, tornam-se fortes demais, o bicho-homem refere-se às grandes cidades onde vive como a selva de concreto. Nada mais errado: nos seus ambientes naturais os animais selvagens não se mutilam, não atacam os próprios filhos, não sofrem de úlceras de estômago, não se tornam fetichistas, não sofrem de obesidade, não matam a não ser para comer, nem ficam neuróticos. Presos numa jaula, os animais passam a ter um comportamento estranho, igual ao do homem na cidade grande.
Em resumo: nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto; são enormes zoológicos humanos, onde vivemos em condições que não são naturais para a nossa espécie, e onde corremos perigo também de enlouquecer de tensão, de adoecermos de civilização, pelo nariz, pela boa, pelos ouvidos.
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Nas grandes cidades, o ar contém centenas de toxinas que prejudicam o desenvolvimento normal das células. Os gases que escapam dos veículos, a gasolina, por exemplo, impedem a perfeita oxigenação do sangue e provocam alergias, doenças do coração, câncer. [...]
E a água que bebemos? Os rios, principais fontes de água potável, são usados como canais de esgoto e de despejo. A vida animal, na maior parte dos rios que abastecem as grandes cidades, já não existe, porque a vida é impossível, não está para peixe. Esse líquido clorado, recuperado, da nossa era higiênica, tem pouca coisa a ver com a água potável, de nascente, digna de peixe e de homem. Estações de tratamento, filtros, toda a química disponível não consegue esconder que estamos bebendo um líquido que supre as nossas necessidades vitais, mas que é chamada de água apenas por hábito.
Além de tudo, estamos ficando surdos. Em cada cem cariocas (ou paulistas, ou gaúchos) dez têm problemas de audição e cinco foram vítimas da poluição sonora. [...] Dor de cabeça, fadiga excessiva, nervosismo, distúrbios de equilíbrio, afecções cardíacas e vasculares, anemias, úlceras de estômago, distúrbios gastrointestinais, neuroses, distúrbios glandulares, curtos-circuitos nervosos, tudo isso pode ser provocado pelo barulho das grandes cidades. E nem é preciso que seja barulho excessivo, porque, na maior parte das vezes, ele já é incômodo e contínuo.
Enjaulados, enquanto não fizermos desse zoológico um jardim mais verde, mais limpo, mais saudável, menos neurótico, a única solução é sair de vez em quando para respirar ar puro, beber água de verdade, ouvir o silêncio, sentir os cheiros da vida e reconquistar a tranquilidade perdida.
O texto faz uma comparação entre a vida que os animais levam na selva e a que as pessoas vivem na cidade. Assinale a alternativa em que há essa comparação.