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Um dia...
Guga era um desses meninos que, desde muito cedo, conhecia o peso dos obstáculos da vida.
Seus pais, após se separarem, o abandonaram e desapareceram. Sua velha e pobre avó cedeu, em seu pequeno barraco, um colchão para ele dormir.
Guga, no entanto, sonhava em ser um dia, um jogador de futebol.
Certo dia, ele viu parar perto de si, um lindo carro (desses que todo mundo admira quando passa). De dentro dele saltaram um homem, elegantemente vestido, e seu filho, um garoto da idade do Guga, também muito bem-trajado e que trazia nas mãos um minigame.
A visão daquele brinquedo encheu os olhos de Guga, que se aproximou para vê-lo melhor. O homem logo segurou o seu filho pelos ombros, num sobressalto, com medo de que aquele menino, malvestido e descalço, roubasse o brinquedo de suas mãos.
No entanto, o menino olhando para Guga, abriu um orgulhoso sorriso e perguntou: — Gostou?
E, em sua simplicidade, Guga respondeu: — Sim... é lindo!
O pai do menino chamou-lhe a atenção, para que ele não chegasse muito perto, e, puxando-lhe pelo braço, levou-o para dentro de um luxuoso escritório de advocacia. Guga ficou ali. Pensando em tudo o que viu, e que fizeram seus olhos luzir, em lampejos de alegria.
"Um dia eu vou ter um desse! Um dia vou ser importante e vou ser famoso... Um dia, porque agora, é hora de ganhar o jogo contra o time dos 'Malacabado', no campinho da rua de trás."
Dulcinéia Alves de Oliveira Charleaux Galego
No conto, a relação entre as condições sociais de Guga e as reações do pai do garoto bem-trajado não é explicitada, mas pode ser inferida a partir de marcas textuais. Considerando esse aspecto, assinale a alternativa correta.