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Professora usa celular como material didático em sala de aula
Cansada dos alunos espiarem o telefone durante as aulas, professora de Belo Horizonte inclui o aparelho nas atividades escolares e consegue melhor rendimento da classe.
“Se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele!” É assim que a professora de literatura de um determinado colégio, em Belo Horizonte, conseguiu atrair a atenção dos alunos e adaptar sua didática à nova realidade do mundo conectado. Com 20 anos de docência, ela adotou o celular como aliado em sala de aula. “É muito mais rápido consultar o significado de uma palavra no aplicativo de dicionários do que deslocar até a biblioteca e manusear aqueles livros enormes”, citando o exemplo de como tudo começou.
Percebendo o maior envolvimento dos alunos, a professora começou a pedir leitura de textos on-line como dever de casa. Quando o estudante alegava que não havia feito a atividade em casa ela então pedia para que o texto fosse lido em sala de aula, ao vivo. “Não tem mais desculpas que esqueceu o material escolar em casa”, diz. Com a tecnologia, parece que agora não há mais como fugir da leitura nas aulas dessa educadora.
Para acompanhar os novos tempos, ela comprou seu primeiro celular este ano e os alunos é que fizeram a vez de professores ensinando como manusear o aparelho. Isso inverte a relação de quem ensina e quem aprende. A turma já criou 15 maneiras diferentes de incluir o celular nas atividades escolares e a professora garante que houve melhora nas notas do boletim.
Nem livro, nem computador.
Pela percepção da professora, nem o computador está cativando mais os alunos. A mobilidade dos aparelhos celulares com acesso à internet vem ganhando cada vez mais espaço entre os jovens. “Em uma das minhas primeiras aulas este ano o computador estragou e uma aluna conectou pelo celular um vídeo sobre o ‘rolezinhos’ e salvou a aula. Quando o tema ‘Bolsa Família’ foi discutido, usamos um vídeo do Ceará que encontrei na internet. Para buscar informação para as redações, eles preferem assistir a vídeos”, completa a educadora.
Uma aluna do terceiro ano do ensino médio, de 17 anos, acredita que a estratégia da professora deveria ser adotada pelos outros docentes da escola. “O aluno tem a sensação que o professor é inflexível, mas a professora entrou no nosso mundo e quebrou as barreiras. Hoje, o celular é quase um apêndice nosso, a gente não vive sem ele. O melhor é que diminuímos a quantidade de livros na mochila. Por meio do celular é muito mais fácil e mais rápido pesquisar o que você quer”, afirma.
A palavra “colégio”, transcrita do texto, é acentuada pelo mesmo motivo que a seguinte palavra: