///
A inveja é uma forma de contemplação ressentida pelo sucesso dos outros, imbuída do desejo último de possuí-lo. Sabe-se que ela nunca é geral, mas particular, direcionada a atributos específicos do próximo. O objeto da inveja é inatingível, mas, muitas vezes, causa no invejoso a ilusão do contrário, envolvendo-o em um eterno ciclo de busca. De maneira paradoxal, ela toma conta de todo o seu corpo, física e psiquicamente. Sabe-se que a inveja é tão perniciosa que os invejosos estão dispostos a destituir os outros de seus benefícios, ainda que, para tanto, seja necessário que eles mesmos sofram uma perda, podendo, inclusive, pôr fim à existência daquilo que beneficia sua própria vida. Ela não segue a lógica da coerência ou do sentido. A inveja é irracional, incontrolável e autodestrutiva. Muitos de nós devem ter visto com os próprios olhos. Das 14 figuras que representam o vício e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a Inveja é que desempenha o papel mais significativo. Na rigorosa geometria espacial de seu programa de afrescos, Giotto pintou a Inveja em frente e em oposição à alegoria da Caridade. O confronto é um choque entre dois mundos diametralmente opostos: um do egoísmo e avareza e outro da generosidade plena.
A inveja é uma forma de contemplação ressentida pelo sucesso dos outros, imbuída do desejo último de possuí-lo (1º parágrafo) [...] envolvendo-o em um eterno ciclo de busca. (1º parágrafo) Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a: