///
Ainda seguindo o argumento do senhor Feinberg, diria que duas condições têm de estar presentes para a responsabilidade coletiva: devo ser considerado responsável por algo que não fiz, e a razão para minha responsabilidade deve ser o fato de eu pertencer a um grupo, o que nenhum ato voluntário meu pode dissolver, isto é, o meu pertencer ao grupo é completamente diferente de uma parceria de negócios que posso dissolver quando quiser. A questão da “transgressão cooperante no grupo” deve, obviamente, ser deixada em suspenso. Esse tipo de responsabilidade, na minha opinião, é sempre política, quer apareça na forma mais antiga em que toda uma comunidade assume a responsabilidade por qualquer ato de qualquer de seus membros, quer no caso de uma comunidade ser considerada responsável pelo que foi feito em seu nome. O último caso tem, é claro, mais interesse para nós, porque se aplica, para o bem e para o mal, a todas as comunidades políticas, e não apenas ao governo representativo. Todo governo assume a responsabilidade pelos atos e malfeitorias de seus predecessores, e toda nação pelos atos e malfeitorias do passado. Isso é verdade até para os governos revolucionários, que podem negar o compromisso com os acordos contratuais estabelecidos pelos seus predecessores. Quando Napoleão Bonaparte se tornou governante da França, ele disse: “Assumo a responsabilidade por tudo o que a França fez desde os tempos de Carlos Magno até o terror de Robespierre. Em outras palavras”, disse ele, “tudo isso foi feito em meu nome”.
Infere-se corretamente do texto: