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Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse inferno vai acabar: “− Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima,
apalpando as melenas.
Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que
ela, com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido.
− Seu cabelo está o quê?
− Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de
quem explica algo elementar a um total ignorante, traduz:
− Bifurcando nas extremidades.
É assim a Solange, criatura para a qual ninguém
morre, mas falece, e, quando sobrevém esse infausto
acontecimento, tem seu corpo acondicionado num ataúde,
num esquife, num féretro, para ser inumado em alguma
necrópole, ou, mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente
quebradiço: pendoa.”
Há uma relação de causa e efeito entre estas duas formulações: