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As Cartas de amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz foram dadas a público 23 anos após a morte do poeta; as cartas de Ofélia a Pessoa foram publicadas recentemente. Possuímos, assim, a íntegra da correspondência entre os dois. O namoro teve duas fases. A primeira durou de março a novembro de 1920; a segunda, de setembro de 1929 a janeiro de 1930. Da primeira fase, ficaram trinta e tantas cartas; da segunda, pouco mais de uma dezena.
Ofélia foi, ao que se sabe, o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de Ofélia. O namoro foi intenso e tenso, breve no tempo factual, longo na duração existencial; mas, como se diz vulgarmente, "não deu certo". Alguns dados biográficos são necessários para se entender essas cartas; e naturalmente insuficientes para se entender esse amor. Entender um amor é sempre uma pretensão vã; considerando-se a complexidade do indivíduo-poeta em questão, querer compreender melhor sua obra à luz dessa correspondência seria uma pretensão desmedida.
Ofélia foi, ao que se sabe, o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de Ofélia.
A frase acima está corretamente pontuada, como também o está o seguinte enunciado: