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Graças à espantosa explosão de teoria e prática da informação, novos avanços científicos foram se traduzindo numa tecnologia que não exigia qualquer compreensão dos usuários finais. O resultado ideal era um conjunto de botões que requeria apenas apertar-se no lugar certo para ativar um procedimento, sem demandar maiores contribuições das qualificações e inteligência limitadas e inconfiáveis do ser humano médio.
A cobrança nos caixas de supermercado na década de 1990 tipificava essa eliminação do elemento humano. Não exigia do operador mais que reconhecer as cédulas e moedas do dinheiro local. Um scanner automático traduzia o código de barras do artigo num preço, somava todos os preços, deduzia o total da quantia entregue pelo cliente, e dizia ao operador quanto dar de troco. O procedimento para assegurar essas atividades se baseia numa combinação de maquinaria sofisticada e programação elaborada. Contudo, a menos que alguma coisa desse errado, esses milagres de tecnologia científica não exigiam mais que um mínimo de atenção e uma capacidade um tanto maior de concentrada tolerância ao tédio.
Para fins práticos, a situação do operador de caixa do supermercado representava a norma humana de fins do século XX; não precisamos entender nem modificar os milagres da tecnologia científica de vanguarda, mesmo que saibamos, ou julguemos saber, o que está acontecendo. Outra pessoa o fará ou já fez por nós. Pois, ainda que nos suponhamos especialistas num ou noutro campo determinado, diante da maioria dos outros produtos diários da ciência e tecnologia somos leigos ignorantes sem compreender nada. Assim, a ciência, através do tecido saturado de tecnologia da vida humana, demonstra diariamente seus milagres ao mundo. É indispensável e onipresente.
E, no entanto, o século XX não se sentia à vontade com a ciência que fora a sua mais extraordinária realização, e da qual dependia. O progresso das ciências naturais se deu contra um fulgor, ao fundo, de desconfiança e medo.
A desconfiança e o medo da ciência eram alimentados por alguns sentimentos: o de que a ciência era incompreensível; o de que suas consequências tanto práticas quanto morais eram imprevisíveis e provavelmente catastróficas; o de que ela acentuava o desamparo do indivíduo e solapava a autoridade. Tampouco devemos ignorar o sentimento de que, na medida em que a ciência interferia na ordem natural das coisas, era inerentemente perigosa. Os primeiros dois sentimentos eram partilhados tanto por cientistas quanto leigos, os dois últimos pertenciam basicamente aos de fora.
Segundo o texto,