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Pergunta: Por que o senhor acha que Cem anos de solidão fez tanto sucesso?
García Marquez: Não tenho a menor ideia, sou um péssimo crítico de meus próprios trabalhos.
Pergunta: Por que acha que a fama é destrutiva para um escritor?
García Marquez: Primeiro, porque ela invade sua vida particular. Acaba com o tempo que você passa com amigos e com o tempo em que você pode trabalhar. Tende a isolar você do mundo real.
Pergunta: O senhor já pensou em fazer filme?
García Marquez: Houve uma ocasião em que desejava ser diretor de cinema. Sentia que o cinema era um meio de comunicação que não tinha limites, no qual tudo era possível. Mas há uma grande limitação no cinema pelo fato de que ele é uma arte industrial. É muito difícil expressar no cinema o que você realmente quer dizer. Entre ter uma companhia cinematográfica e um jornal, eu escolheria um jornal.
[...]
Pergunta: Ouvi falar de uma famosa entrevista com um marinheiro que havia sofrido um naufrágio.
García Marquez: Não foi com perguntas e respostas. O marinheiro apenas contou suas aventuras e eu as reescrevi, tentando usar as palavras dele, na primeira pessoa, como se fosse ele quem estivesse escrevendo. Quando o trabalho foi publicado, na forma de uma série de reportagens em um jornal, uma parte por dia, durante duas semanas, foi assinado pelo marinheiro e não por mim. Só vinte anos depois a reportagem foi publicada em livro e as pessoas descobriram que havia sido escrita por mim. Nenhum editor de texto percebeu que ela era boa, até eu escrever Cem anos de solidão.
Só vinte anos depois a reportagem foi publicada em livro e as pessoas descobriram que havia sido escrita por mim.
Considerando-se o contexto, a frase acima está corretamente reescrita, preservando-se em linhas gerais o sentido original, em: