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Escolher um carro não é tarefa fácil. Hoje, no Brasil, 59 marcas nacionais e importadas vendem uma infinidade de modelos para todos os gostos e bolsos. E são muitas as variáveis que influenciam a escolha final. Mas se engana quem pensa que só motorização, autonomia, conforto ou preço pesam na hora da decisão. Um estudo da Universidade de Viena, na Áustria, mostrou que, mesmo inconscientemente, atribuímos características humanas aos automóveis e criamos personalidades para eles de acordo com o seu design. Isso influencia nossa escolha, já que o carro será nosso representante físico numa atividade que ocupa cada vez mais horas dos nossos dias: o trânsito.
A pesquisa mostrou ainda que a personalidade dos veículos se encaixa em duas grandes categorias - de um lado, os poderosos e imponentes e, do outro, os simpáticos e alegres. "Não sabemos até que ponto a personalidade do carro pode ser estendida ao seu dono", diz um dos autores do estudo. "Mas não temos dúvida de que ele é um objeto de comunicação e que alguns elementos de design são determinantes na criação de uma identidade reconhecível."
O mecanismo de atribuição de personalidade ao carro é relativamente simples. O ser humano tem propensão natural a ver rostos onde eles não existem. Os detalhes da dianteira do veículo são, portanto, facilmente vinculáveis às feições de uma pessoa. Para o coordenador da pós-graduação em design automobilístico da Fundação Mineira de Educação e Cultura, para quem o objetivo dos carros é levar os passageiros de maneira rápida e eficiente de um lugar a outro, o trânsito é uma arena para as interações sociais.
Não o surpreende uma das mais relevantes conclusões do estudo austríaco. Segundo os antropólogos de Viena, em última instância, as pessoas preferem carros cada vez maiores e mais fortes para circular pelas ruas da cidade, mesmo que eles sejam menos práticos e mais poluentes. É natural que as pessoas prefiram a segurança em um ambiente que, a cada dia, fica mais violento.
... o trânsito é uma arena para as interações sociais. (3º parágrafo)
O primeiro conceito de arena, segundo o Dicionário Houaiss, é: parte central dos anfiteatros romanos, coberta de areia, onde se realizavam espetáculos de combate entre gladiadores ou entre feras, e que, por ocasião de determinadas datas ou festas cívicas, servia de palco para a entrega às feras de condenados comuns ou cristãos.
A partir dessa definição é, pois, correto entender a frase acima como: